INCÊNDIO NA CINEMATECA BRASILEIRA

23 abr

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Com grande tristeza recebi o informe sobre o incêndio que ocorreu na madrugada do dia 03 de fevereiro de 2016 na chamada “Câmara 03”, um dos quatro depósitos de filmes em nitrato da Cinemateca Brasileira.

Consta do informe que o Corpo de Bombeiros foi acionado às 05h30 e que 12 bombeiros militares, mais a Brigada de Incêndio da Cinemateca, participaram do combate ao fogo, debelado em meia hora.

Foram destruídos 1.003 rolos referentes a 731 títulos de filmes nacionais, incluindo 23 rolos referentes a 21 títulos do precioso Acervo Igino Bonfioli, doados à Escola de Belas Artes da UFMG pela família do pioneiro cineasta e que há décadas estavam depositados na Cinemateca Brasileira para sua melhor conservação e preservação.

Apurou-se que o incêndio teve origem na autocombustão de um rolo de nitrato de celulose, cuja queima não pode ser parada por qualquer meio, levando à destruição total do objeto.

A Secretaria do Audiovisual e a Cinemateca Brasileira consideraram que, embora os nitratos estivessem adequadamente guardados, o incêndio foi “caso de força maior”, um “fato natural” devido à composição do material, que o sujeita à autocombustão.

As duas instituições parecem ter descartado um possível incêndio criminoso e uma eventual guarda inadequada dessas matrizes, partes da memória visual do Brasil, que se perderam nas chamas para sempre.

A Secretaria do Audiovisual e a Cinemateca Brasileira lamentaram imensamente a perda dos nitratos e se mostraram dispostas a esclarecer o que fosse necessário.

Cordialmente assinaram o informe Paulo Roberto Ribeiro, Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, e Olga Futemma, Coordenadora-Geral da Cinemateca Brasileira.

AS JÉSSICAS NO PODER

2 abr

Anna Muylaert.png

Foi pelos idos de 1990 que, após três anos de trabalho como crítico de cinema freelance na IstoÉ, a convite de Geraldo Mayrinck, fui sumariamente “demitido” sem justa causa. Querendo agradar Roberto Muylaert, então Presidente da Fundação Padre Anchieta, os donos da publicação pediram ao editor, Humberto Werneck, que dispensasse meus serviços para presentearem, com o posto liberado, a filhota daquele pistolão.

A jovenzinha estudara cinema na USP, mas nunca publicara nada na vida. Havia trancado a faculdade para morar em Paris, onde passou seis meses, “patrocinada pela família”. Viu ali muitos filmes, fez listas e anotações em busca “de um projeto ou de um discurso cinematográfico”. Ainda meio perdida, deve ter acabado por encontrar o que queria, pois voltou, dirigiu alguns curtas-metragens e se formou na ECA.

A colocação de crítica de cinema na IstoÉ não deve ter servido muito para dar-lhe maior visibilidade. A suposta nova voz da crítica paulista não tinha real interesse por essa atividade, e não permaneceu por muito tempo na revista, logo abandonando sua breve “carreira” jornalística para assumir sua verdadeira vocação de roteirista e cineasta.

A filha afortunada do Presidente da Fundação Padre Anchieta encontrou realmente seu destino ao trabalhar escrevendo e dirigindo programas especiais na própria TV Cultura dirigida pela Fundação presidida por seu pai. Não demorou tanto para se tornar, graças a essas experiências privilegiadas, a premiada cineasta Anna Muylaert.

Recordo essa historieta edificante porque ela me permite entender melhor o atual engajamento político da cineasta em defesa da permanência de Dilma Rousseff no poder, em ato de solidariedade que reuniu artistas e intelectuais governistas e no qual, entregando o manifesto do grupo à Presidenta, lançou uma profecia misteriosa:

O mérito da Jéssica não é seu, e sim de Lula e Dilma, que permitiram que as Jéssicas existissem. No futuro, haverá uma Jéssica presidenta e o seu coração estará cheio de gratidão a Dilma. As Jéssicas vão tomar o poder.

Trata-se de um emotivo encorajamento à Presidenta mais incompetente e impopular da História do Brasil e também de uma inteligente jogada de marketing para promover Que horas ela volta?, o trabalho mais recente da cineasta Muylaert. Pois a citada “Jéssica” é uma das personagens desse filme, estrelado por  Regina Casé.

A atriz, que Rubem Biáfora classificaria em dia generoso como “cascuda”, interpreta Val, a nordestina que trabalha em São Paulo como doméstica para uma família de classe média, e cuja filha, a tal Jéssica, vem de Pernambuco prestar o vestibular. Pelo que li sobre o filme, a tensão que se estabelece entre os personagens é aliviada por um final feliz: Jéssica passa no concorrido curso de Arquitetura da USP.

A cineasta definiu esse final como “utópico” em coletivas no exterior, mas essa utopia parece ter se tornado magicamente a “realidade brasileira” que constatou algumas semanas depois, nas turnês que fez com o filme pelas universidades do país.

A Muylaert percebeu de súbito que, revolucionadas pelos “programas sociais” do governo, as universidades públicas haviam gerado um grande número de Jessicas. Por isso, ao agradecer o prêmio Faz Diferença / Cinema dos jornalistas de O Globo, a cineasta foi furiosamente aplaudida ao declarar:

Quero dedicar esse prêmio às Jéssicas que estão hoje na universidade e a duas pessoas que eu acredito que têm muito a ver com isso. Eu entendo essas pessoas como o pai e a mãe das Jéssicas. Não no filme, mas na vida real, que são o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

A Muylaert e seus  fãs não acreditam em conquistas por mérito próprio, eles desdenham do que chamam de meritocracia. Sua própria trajetória convenceu a cineasta de que toda Jéssica pode ser alçada sem prévias publicações ao posto de crítica numa revista nacional, assim como ao de roteirista numa TV do governo. Basta ter um pai poderoso.

No sistema defendido pela Muylaert, com base em certo modus operandi, a ascensão ocorre “naturalmente” pelo efeito das boas influências. Por isso “o mérito da Jéssica não é seu”, um oximoro inquietante, pois anula o esforço pessoal e o atribui a terceiros poderosos, que encaminham e elevam as Jéssicas sem controle ou consciência do processo.

As Jéssicas que ascendem à classe média por meio de bolsas, sem esforço, ou à universidade através de cotas, sem mérito, seguem o velho modelo populista brasileiro, no qual filhinhos de papai tudo conseguem por indicação. O slogan “As Jéssicas vão tomar o poder” resume o sentido dos “programas sociais”: uma carteirada aplicada em massa.

Os menos privilegiados agora dispõem do seu “Você-sabe-com-quem-está-falando?” simbólico: o cartão do beneficiário das “políticas públicas” do governo populista, brandido por todo empoderado filhinho de pai Lula ou mãe Dilma, como garantia de seu “direito” de furar as filas da História e receber benefícios imediatos.

Nesse sistema de favores, a vitória não pertence ao vencedor: todo bem adquirido deixa de ser do seu dono, que só o conseguiu no tapetão, pelas mãos do generoso pai e da generosa mãe dos pobres. Um dia, é claro, os beneficiários serão cobrados por esses favores, porque é dando benefícios que se recebem votos e apoios.

Não se trata da gratidão sempre devida ao mestre que ensina o aprendiz a pescar o peixe – uma gratidão cada vez mais rara no Brasil. Trata-se da anulação da individualidade e de seu projeto de liberdade pela adulação do poder por “beneficiários” que comem da mão dos governantes, uma exaltação da coletividade e de seu projeto de submissão.

Nessa corrupta visão de mundo, não é preciso se esforçar para vencer, basta adular painho e mãeinha e manter-se ao lado deles, apoiando-os para ser por eles apoiado. É a ética do Macunaíma, herói brasileiro sem caráter; do poeta vendido de Pasárgada, que canta: “Lá sou amigo do rei, lá tenho a mulher que eu quero na cama que escolherei.”

O CINEMA SEGUNDO RONALDO BRANDÃO

3 mar

INDISCRETION OF AN AMERICAN WIFE, (aka STAZIONE TERMINI), Jennifer Jones, 1953.

Hoje perdemos o crítico de cinema Ronaldo Brandão.

Tive um encontro memorável com Brandão no dia 15 de setembro de 2004, no café da Livraria Travessa. Ele estava acompanhado do jovem pintor e cenógrafo Eli. Foi quando me contou ter conhecido a reclusa diva do cinema mudo Brigitte Helm, estrela de Metropolis (Metropolis, 1927), de Fritz Lang.

Tendo abandonado o cinema em 1935 ao casar-se com um milionário suíço, Brigitte Helm estava hospedada no Hotel Del Rey, em Belo Horizonte, acompanhando o marido, industrial da Mannesman, numa viagem de negócios. Brandão soube disso ao ler uma nota no jornal e correu até o hotel para ver a estrela. Já com seus 60 anos e ainda bela, Brigitte Helm o recebeu com simpatia.

Também me contou uma deliciosa indiscrição: a de que havia namorado John Schlesinger, quando o então jovem cineasta inglês fazia um tour pelo Brasil a convite do British Council. “Sim”, Brandão me assegurou, “é verdade, o John Schlesingere me comeu e depois seguiu para Hollywood, onde rodou Midnight Cowboy [Perdidos na noite, 1969]”.

Erguendo-se da cadeira em súbitos enlevos, lançando a torto e a direito sensacionais caras e bocas, Ronaldo Brandão vibrava ao se lembrar de mil filmes maravilhosos que vira, incluindo a filmografia completa de Jennifer Jones, a diva de sua predileção.

Contou-me que Rudá de Andrade, que foi assistente de Vittorio De Sica em Stazione Termine (Quando a mulher erra, 1953), testemunhou uma Jennifer Jones apaixonada pelo galã do filme, Montgomery Clift. Mas ao saber que ele era homossexual, jogou na privada, em acesso de raiva, a estola que sua personagem usava. Como a produção não achou outra igual, a pele foi secada com secador de cabelo e a estrela teve de continuar a usá-la…

Ronaldo Brandão lera vários livros sobre Jennifer Jones e me revelou que o  modelo cinematográfico da sua diva, segundo ela mesma confessara, era a grande Silvia Sidney. Mas Brandão deixou claro não gostar de Elizabeth Taylor, que só desculpava em Cat on a Hot Tin Roof (Gata em teto de zinco quente, 1958), de Richard Brooks.

Para encerrar com chave de ouro essa noitada prateada pelas lembranças daquele cinema de estrelas que amávamos, Ronaldo Brandão recitou-me uma frase magnífica, que merece ficar registrada entre as melhores definições da sétima arte:

O cinema é a verdade 24 quadros por segundo (Jean-Luc Godard). O cinema é um sonho que sonhamos todos juntos (Jean Cocteau). Vocês são lindos, ricos e felizes? Pois vão embora daqui! O cinema é para quem não tem NADA! (Ronaldo Brandão).

DAVID BOWIE

14 jan

David Bowie. (7)

Não me canso de ouvir os primeiros álbuns de David Bowie, sobretudo aqueles hinos do glam rock retrabalhados em Velvet Goldmine (1998), de Todd Haynes. Este filme tem a mesma percepção do músico que sempre tive: um cometa que levou o glam rock à glória e depois o abandonou inexplicavelmente, apagando-se numa morte lenta.

Bowie podia então se travestir e ter amantes dos dois sexos, fazer declarações chocantes, politicamente incorretas, que ninguém ousava depreciá-lo. Ele era protegido por uma aura de beleza: qualquer outra pessoa que ousasse ser como ele viraria um objeto de escárnio.

Mas em Bowie os trajes de palhaço, de odalisca, de marciano, só o tornavam mais majestoso. Seu porte era o de um príncipe, ele pairava acima dos pobres mortais, o ridículo não podia atingi-lo. Nas últimas décadas, porém, ele aposentou suas ousadias, e assumiu uma aparência de executivo fashion, compondo músicas deprimentes, mórbidas.

O sol negro sempre esteve presente em suas músicas, espreitando seus personagens sofredores, mas havia sempre também um aceno de esperança no final da agonia, como em Rock ‘n’ Roll Suicide, uma de minhas canções prediletas de Bowie.

No documentário Tally Brown – New York (1979), Rosa von Praunheim registrou, entre outras, essa performance da extraordinária Tally Brown, cantora underground e superstar verdadeiramente freak, admirada por  Andy Warhol, que desfilava seu sofisticado repertório por saunas gays e bares decadentes. Com sua voz poderosa, essa diva marginal interpretou como ninguém o Rock ‘n’ Roll Suicide de Bowie:

Outra de minhas preferidas, The Man Who Sold the World, teve a melhor de todas as performances executada ao vivo num concerto acolhedor da MTV Unplugged, por um autêntico suicida do rock: o belo e infeliz Kurt Cobain:

Uma das grandes performances de David Bowie, para mim, é esta aqui: ei-lo interpretando com raiva contida e verdadeira melancolia Five Years, essa dilacerante canção de amor desiludido –  a música, o cinema e o mundo acabaram de certa forma nos anos 1970:

Já o último álbum, Blackstar, e o musical Lazarus, que Bowie preparava com o diretor de teatro Ivo van Hove, mergulham-nos no fundo do poço, sem acenos de esperança. Os clipes são sinistros. Bowie esforçou-se para terminar os dois projetos antes de morrer, mas já tinha perdido o rumo, há décadas não era mais aquela estrela cintilante. Paga-se um preço pela traição dos ideais.

Bowie lançou Blackstar no dia 8 de janeiro ao completar 69 anos. Nesse dia Jimmy King postou no Instagram uma foto que tirou de Bowie de chapéu, sapato sem meia, soltando uma gargalhada na rua: foi seu adeus ao mundo. Wendy Leigh, biógrafa de Bowie, revelou que, além do câncer no fígado, ele teve seis ataques cardía­cos nos últimos anos.

Quando ouvimos uma boa música não sabemos bem quando foi composta. Como os desenhos animados que nos encantam, as canções mais perfeitas são atemporais, elas conseguem atravessar as gerações sem acumular poeira alguma.

Os primeiros álbuns de Bowie continuam soando modernos. Eu os considero mais atuais que os seus últimos, que já nasceram mofados. Foi graças aos seus antigos hits que ele continuou conquistando adeptos na jovem geração.

Logo após sua morte, um grupo de astrônomos belgas batizou uma constelação de sete estrelas em forma de raio com o nome de David Bowie.  E as manifestações de admiração no meio artístico que seu fim produziu nas redes sociais beiraram o endeusamento:

Elijah Wood: – Nunca imaginei um mundo sem ele. Ele ascendeu ao Cosmos de onde veio.

Kanye West: – David Bowie era uma das inspirações mais importantes; tão destemido, tão criativo, ele nos deu mágica para uma vida toda.

Kat Dennings: – Esse homem moldou meu coração e minha alma. NUNCA terá outro como ele nesse planeta estúpido […]. David Bowie foi meu norte musical minha vida inteira. […] Ele NUNCA será substituído, nunca.

Joe Manganiello: – As pessoas sempre me perguntavam com qual ator eu mais queria trabalhar, eu sempre dizia que com o David Bowie. Triste que nunca terei a chance. Eu toquei Outside no repeat por anos. Nunca saiu do meu toca-discos. Eu me lembro de implorar para a minha mãe me levar para ver os fantoches de Labirinto quando criança no museu de Pittsburgh.

Pude ver David Bowie ao vivo num show em São Paulo, com Elaine Mansano​ e Carlos Conti, no dia 23 de setembro de 1990, no Estádio do Palmeiras. Lembro que chuviscava, mas foi um show tranquilo, sem as luzes histéricas e os efeitos estrambóticos dos atuais concertos de rock, acachapantes e ensurdecedores.

Demoramos a sair do lotado Estádio do Palmeiras, as ruas estavam tomadas pelos remanescentes do show à procura de seus automóveis, que logo bloqueariam todas as vias. Em toda minha vida só fiz uma única vez esse sacrifício, de ir a um estádio de futebol, por David Bowie. Lembro-me disso e fico triste pelo mundo que se acabou.

10 MELHORES FILMES DE 2015

3 jan

Mad Max 2015.jpg

Não há mais obras-primas no cinema, feitas até a década de 1970 sem a necessidade dos muitos milhões de dólares gastos hoje nos blockbusters, nem vou mais ao cinema com a frequência de quando eu escrevia para as mídias de São Paulo. Há anos que, por comodismo, compro os filmes em DVD ou Bluray para ver em casa, sem ter de lidar com uma plateia que fede a pipoca amanteigada e não consegue desligar seus celulares.

Perdi muitos dos filmes que aparecem nas listas dos críticos: Birdman (Birdman ou a inesperada virtude da ignorância), de Alejandro Iñárritu; Cinderella (Cinderela), de Kenneth Branagh; The Martian (Perdido em Marte), de Ridley Scott; In the Heart of the Sea (No coração do mar), de Ron Howard; Star Wars VII – The Force Awakens (Star Wars – O despertar da Força), de J. J. Abrams; Inside Out (Divertida mente), de Pete Docter; Whiplash (Whiplash – Em busca da perfeição, 2015), de Gabriel Mascaro…

A lista que se segue é apenas a dos dez melhores filmes de 2015 que eu vi nas salas de cinema.

(1) Mad Max: Fury Road (Mad Max: Estrada da Fúria, 2015), de George Miller, com Tom Hardy e Charlize Theron. George Miller cria um universo horrendo, estilizado e povoado por monstros humanos. A ação é contínua e o filme é uma proeza de direção e de edição. Num mundo futuro desertificado, o “imperador” Immortan Joe desperdiça a pouca água que resta liberando-a para seus súditos neonazistas na forma de uma cascata artificial que ele abre e fecha. A água respinga nas panelas, caçarolas, latas e latinhas que o povo idiota estende para o alto, mas a maior parte do precioso líquido resvala pelas pedras e se perde na areia. A imperatriz Furiosa decide fugir desse reino idiota levando consigo as lindas escravas reprodutoras do Immortan Joe, que move então uma perseguição implacável à traidora que roubou seus “tesouros”. Nessa contenda automotiva estimulada pelos acordes incendiários de um guitarrista apocalíptico, as beldades em fuga são ajudadas pelo outsider Mad Max, traumatizado por não ter impedido a morte dos seus entes queridos, e por um súdito-perseguidor neonazista (Nicholas Hoult), que sonha com a morte gloriosa no Valhala, mas que acaba se convertendo à causa das neoamazonas. O 3D desse filme heavy-metal me deixou tonto e com dor de cabeça. Nos últimos 20 anos, Miller dirigiu apenas três filmes menores: Happy FeetHappy Feet Two e Babe: Pig in the City – produções dirigidas ao público infantil que nada tinham de autoral. Este é seu primeiro filme de ação desde Mad Max: Beyond Thunderdome (1985). Com um orçamento de US$150 milhões, Miller teve liberdade para fazer o filme que queria, e fez

(2) Spectre (007 Contra Spectre, 2015), de Sam Mendes, com Daniel Craig e Christoph Waltz.

(3) Mission: Impossible – Rogue Nation (Missão impossível 5: Nação Secreta, 2015), de Christopher McQuarrie, com Tom Cruise e Jeremy Renner

(4) Bridge of Spies (Ponte dos espiões, 2015), de Steven Spielberg, com Tom Hanks e Mark Rylance.

(5) The Visit (A visita, 2015), de M. Night Shyamalan, com Olivia DeJonge e Ed Oxenbould.

(6) Jurassic World (Jurassic World: o mundo dos dinossauros, 2015), de Colin Trevorrow, com Chris Pratt e Bryce Dallas Howard.

(7) Everest (Everest, 2015), de Baltasar Kormákur. Com Jason Clarke, Jake Gyllenhaal e Josh Brolin. Filme baseado em fatos reais ocorridos em 1996, quando dois grupos de alpinistas amadores inscrevem-se em dois pacotes de duas agências de “turismo radical” que prometem levá-los com segurança ao topo do Everest, a mais alta montanha do mundo. A aventura exaltante termina numa terrível tragédia.

(8) La Vénus à la fourrure (A pele de Vênus, 2013), de Roman Polanski, com Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric, a partir de uma peça de David Ives. Apenas dois atores sustentam o mais recente huis-clos do cineasta. Após uma linda abertura pelas ruas de Paris sob um céu de chumbo, a ação transcorre toda dentro de um pequeno teatro, numa fria noite de tempestade. Vanda Jordan (Emmanuelle Seigner), uma atriz que já beira a decadência sem ter conseguido destacar-se, chega atrasada ao teste de atores para a nova peça do diretor Thomas (Mathieu Amalric), que adaptou para o teatro o romance Vênus em casaco de pele, de Leopold von Sacher-Masoch. Abusando do visual punk-gótico-sadomasô, Vanda pensa ser a pessoa ideal para encarnar Wanda von Dunayev. O diretor já encerrou as audições, sem encontrar os atores certos, e não vê na candidata retardatária nenhuma qualidade especial que o comova, apressando-se em despachá-la. Com truques que apelam à vaidade e ao fetichismo do diretor, Vanda consegue, contudo, convencê-lo a mudar de ideia. Thomas acaba ensaiando com a atriz quase a peça inteira, assumindo o papel do pervertido aristocrata Severin, que deseja ser dominado por Wanda, num jogo sadomasoquista de entra-e-sai da pele dos personagens. Apenas no final, quando Thomas deixar cair suas defesas, Vanda revela seus verdadeiros e sinistros propósitos. Primeiro filme realizado por Polanski após ser preso em 2009, na Suíça, aonde fora receber um prêmio, devido ao infindável processo em curso nos EUA desde 1974, pelo abuso sexual de uma menor – que já o perdoou –, La Vénus à la fourrure alude a esse último pesadelo de sua vida. Os outros pesadelos: o nazismo no gueto de Lodz, o comunismo na Polônia do pós-guerra e o assassinato da primeira esposa, Sharon Tate, grávida, pelos psicopatas de Charles Mason no exílio americano. Seigner, esposa de Polanski, que estrelou outros filmes seus, para o injusto desgosto da crítica, que nunca reconheceu seu talento (ela está ótima no papel da atriz azarada) contracena com Amalric, parecido com o cineasta, e cujo personagem cai, como o diretor na vida real, numa armadilha sexual armada pela sanha do politicamente correto, a nova peste totalitária a minar a liberdade individual pela imposição de sentimentos de culpas sociais pelas “minorias oprimidas”, numa empresa de equalização forçada. Polanski mostra-se em forma, agora com o apoio de sua Polônia natal, mas ainda limitado ao limbo da produção independente europeia, sem perspectivas de reinserir-se no panteão de Hollywood. O filme é de 2013, mas estreou no Brasil em 2015.

(9) Victor Frankenstein (Victor Frankenstein, 2015), de Paul McGuigan, com Daniel Radcliffe, James McAvoy e Jessica Brown Findlay.

(10) Irracional Man (Homem irracional, 2015), de Woody Allen, com Joaquin Phoenix e Emma Stone. Abe Lucas, professor de filosofia, é um homem depressivo e deprimente, que professa um niilismo atraente para certas mulheres, apesar da barriga crescente e do ar decadente. Transferido para a universidade de uma pequena cidade, Abe seduz Rita, uma colega desamparada pelo marido, e a brilhante aluna Jill. Esses relacionamentos se desarranjam, contudo, quando Abe e Jill ouvem a conversa de estranhos numa lanchonete sobre um juiz que impede o divórcio de uma infeliz mulher. Para provar suas teorias niilistas, Abe decide “brincar de Deus” e fazer um casal feliz envenenando o café que o malvado juiz toma sempre a certa hora no parque que ele também frequenta. Quando Jill passa a suspeitar de seu mestre, este se vê obrigado a eliminar também a pupila.

Alguns dos melhores filmes de 2015 eu vi, contudo, em DVD e em Bluray:

(1) Woman in Gold (A dama dourada, 2015), de Simon Curtis, com Helen Mirren, Ryan Reynolds, Daniel Brühl, Moritz Bleibtreu e Katie Holmes. Baseado no processo aberto por um jovem advogado, neto do compositor Arnold Schoenberg, envolvendo os direitos de posse do famoso quadro rebatizado de A dama dourada, de Gustav Klimt, orçado em 100 milhões de dólares, este filme emocionante recorda um dos capítulos ainda não encerrados do Holocausto: o saque das obras de arte dos judeus, estocadas em mais de 1.000 depósitos na Alemanha e na Áustria. Após a guerra e sob a coordenação do exército americano, cerca de 700 mil peças foram identificadas e restituídas aos seus países, cujos governos deveriam localizar seus legítimos donos para a devolução. Mas muitos governos e importantes museus fizeram de tudo para reter esses tesouros e, passadas sete décadas, cerca de 100 mil peças ainda não foram devolvidas.

(2) Im Labyrinth des Schweigens (Labirinto de mentiras, Alemanha, 2015). Direção: Giulio Ricciarelli. Com Alexander Fehling, André Szymanski, Friederike Becht. Em 1958, na cidade de Frankfurt, o jovem procurador Johann Radmann (Alexander Fehling) começa a investigar antigos membros da SS que teriam cometido assassinatos em Auschwitz, sendo o Holocausto algo completamente ignorado pela jovem geração, verdadeiro tabu no país. Para chegar aos culpados e levá-los a julgamento, Johann terá de empreender uma pesquisa épica nos arquivos, encarnando Teseu no Labirinto, com o fantasma do Dr. Joseph Mengele assumindo o papel do Minotauro, enfrentando ainda a pressão de seu meio, as negativas das autoridades, a dissimulação dos nazistas, o ódio dos colaboradores, as ameaças de morte, o rompimento dos seus poucos laços sociais, chegando finalmente à verdade última, que ameaça sua própria identidade.

(3) The Imitation Game (O jogo da imitação, 2014), de Morten Tyldum, com Benedict Cumberbatch e Keira Knightley. Durante a Segunda Guerra, o matemático inglês Alan Turing (Benedict Cumberbatch) é contratado pelos serviços secretos britânicos para desenvolver uma máquina capaz de decodificar os códigos nazistas. Após inúmeras tentativas frustradas, a máquina que desenvolve com um grupo de cientistas acaba conseguindo obter resultados, mas o segredo deve ser mantido para que os nazistas não suspeitem da invenção e criem outo código mais complexo. Assim, o bombardeio de um navio é permitido, mas como os pais de um dos cientistas encontram-se nesse navio, a omissão de socorro abala e divide a equipe. Turing também sofre chantagens do governo por conta de sua homossexualidade e acaba se submetendo a um tratamento cruel de “cura” de si que o faz entupir-se de remédios e afastar-se ainda mais de uma vida normal: isolado e sozinho, ele morre de depressão. A máquina que ele inventou evoluirá para os atuais computadores. O filme é de 2014, mas estreou no Brasil em 2015.

(4) Terminator Genisys (O exterminador do futuro: gênesis, 2015), de Alan Taylor, com Arnold Schwarzenegger e Jason Clarke.

(5) Snowpiercer (O expresso do amanhã, 2013), de Bong Joon-Ho, com Chris Evans, Jamie Bell e Tilda Swinton. O filme é de 2013, mas estreou no Brasil em 2015.

Veja os #fogosdeartifício que criei ao publicar em #WordPressDotCom. Meu relatório anual de 2015.

29 dez

See the fireworks ARQUIVO PASOLINI created by blogging on WordPress.com. Check out their 2015 annual report.

Fonte: Veja os #fogosdeartifício que criei ao publicar em #WordPressDotCom. Meu relatório anual de 2015.

Veja os #fogosdeartifício que criei ao publicar em #WordPressDotCom. Meu relatório anual de 2015.

29 dez

Veja o fogo de artifício criado por DIÁRIO CINEMATOGRÁFICO em WordPress.com., no relatório anual de 2015.

Fonte: Veja os #fogosdeartifício que criei ao publicar em #WordPressDotCom. Meu relatório anual de 2015.

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