O MISTÉRIO DE E.T. CLINT (1976-1983)

16 fev

Edmund Thomas Clint.

Edmund Thomas Clint nasceu em Kochi, no sul da Índia, filho de Chinnamma Joseph e de Thomas Joseph. Os pais eram pessoas simples que deram ao filho o nome de Clint em homenagem ao ator preferido do pai, Clint Eastwood.

Clint praticamente nasceu desenhando. Ainda bebê começou a rabiscar o chão, desenhando círculos perfeitos. Com um ano de idade observou o artista Mohanan, amigo do pai, trabalhando num cavalete e passou a imitá-lo, usando as paredes da casa como grandes cavaletes. Sua mente parecia inundada com ideias e ele produzia cerca de 100 desenhos por dia.

Os pais do garoto, sem nenhum conhecimento de arte, não deixavam de incentivar o filho. Thomas comprou-lhe da fábrica um conjunto de lápis de cor com 75 tons. Logo Clint passou a desenhar flores e pássaros, depois paisagens, carros, aviões e, finalmente, personagens mitológicos. Ao ver suas pinturas, um artista recomendou aos pais do menino que o deixassem desenhar à vontade, pois “ele tinha algo a dizer”.

As obras do garoto pareciam incluir todas as escolas de pintura: do classicismo ao abstracionismo. Ele desenhava sem parar, durante horas seguidas. Clint também possuía um insaciável interesse científico: estudava anatomia para reproduzir a natureza o mais fielmente possível em seus desenhos, que receberam diversos prêmios.

Os pais de Clint leram para ele toda a mitologia indiana c mundial, cujos episódios o menino desenhava com admirável capacidade imaginativa. O pai providenciava tintas e lápis de cor, e deu-lhe também cinco mil caixas de papelão onde ele podia desenhar e dar asas à sua imaginação, que parecia devorar toda superfície branca com seus sonhos coloridos.

Edmund Thomas Clint - O peixe-leão.

Chinnamma, apaixonada pelas ciências naturais, leu para o filho a história do famoso ornitólogo Dr. Salim Ali. Clint ficou inspirado e passou a observar as aves com mais fascínio ainda. Doente desde os três anos, Clint pediu ao pai que lhe comprasse um binóculo para que pudesse observar os pássaros da janela do quarto.  O pai comprou-lhe um binóculo barato no bazar da Igreja e Clint passava horas a observá-los e a desenhá-los.

Edmund Thomas Clint - O periquito solitário.

Clint também tinha uma profunda relação com o pôr do sol e era sua rotina espreitar o crepúsculo da janela do quarto para admirar a infinidade de suas cores. Perguntava então ao pai: “De onde vêm todas essas cores? Como o céu e o sol realizam essa façanha todas as noites?”.

Um dos amigos de Clint apanhou um periquito e deu-lhe de presente. Sua alegria foi imensa. Ele o observou durante toda uma noite para desenhar seus movimentos. E depois pediu à mãe, de manhã, que soltasse o passarinho. Ela o fez e ele ficou extasiado ao ver seu voo livre.

Na manhã seguinte, o pai Joseph comprou-lhe um par de pombinhos. Clint observou-os de todos os ângulos para fixar em sua mente tudo o que podia sobre aquelas aves. Mas não queria mantê-las em cativeiro. Então pediu ao pai que lhe comprasse um novo par de pombinhos a cada duas semanas para que pudesse libertar o velho par. Seu pai concordou, e fez acordos com lojas de animais de estimação para um suprimento constante de pombos e comida de passarinho.

Clint observava atentamente a natureza para recriá-la em seus desenhos e pinturas. Mas suas obras não eram meras cópias do que via, e sim interpretações muito pessoais. Ao andar com a mãe pelas ruas estreitas do mercado, Clint observava as pequenas lojas de ambos os lados e uma vez deparou-se com um vigoroso açougueiro realizando sua carnificina. Ao chegar em casa, ele o desenhou como um porco.

Edmund Thomas Clint - O porco açougueiro.

Certo dia, depois de desenhar cemitérios e cruzes, Clint pediu à mãe que lesse para ele a passagem bíblica da ressurreição de Cristo. Depois, disse apenas: “Agora vou dormir. Não me chame. Se chamar pode ser que eu não acorde. Mamãe, não fique triste. Mamãe, não chore.” Logo ele sofreu uma misteriosa convulsão.

Aos seis anos e 11 meses de idade Clint morreu atacado por um mal renal jamais explicado pelos médicos que o trataram. Em sua vida breve, de maio de 1976 a abril de 1983, Clint fez 25 mil desenhos e pinturas. Ou seja, 25 mil desenhos e pinturas em apenas 2.522 dias de vida. Ninguém de sua família tinha inclinação para as artes. Seu talento é um enigma.

O cineasta inglês de origem indiana Shiva Kumar entrevistou os pais de Clint e os médicos que o trataram no documentário Clint (Clint, 1994), premiado como Melhor Filme no Festival de Cinema de Teerã e aclamado em festivais de cinema na Índia, no Brasil e no Japão, mas infelizmente até hoje nunca lançado em DVD. Um clipe sobre a vida e a obra de E.T.  Clint pode ser visto aqui:

SHIVA KUMAR

Nascido em Nova Delhi e educado na Inglaterra, Egito, Índia e EUA, Shiva Kumar formou-se no Instituto de Cinema de Pune. Dirigiu filmes institucionais e para uma multinacional. Fez dois documentários intitulados Years of Progress. Seus filmes foram exibidos nas redes PBS, The Disney Channel, BBC, Israeli Cable, Canal Plus, RAI e NHK.

Shiva traz em suas produções uma perspectiva global. Procura sempre para contar uma história única. Aperfeiçoou a arte de ouvir e perguntar até chegar ao núcleo de uma história única e comunicá-la com estilo e elegância. Sua perspectiva vem de sua formação diversificada como ator, apresentador de TV e repórter, sua cultura global e conhecimento apurado de cinematografia, iluminação, emergentes tecnologias HD e 4K e design de produção de vanguarda.

Filmografia parcial

Clint (Clint, 1994, 122’, cor, doc). Direção, Roteiro, Edição: Shiva Kumar. Fotografia: Madhu Ambat. Música: Pandit Raghunath Seth. Cenografia, Figurino: Nill. Som: K. S. Ravi.

Hitler’s Courts: Betrayal of the Rule of Law in Nazi Germany (Inglaterra, 2005, 35’, doc). Produção: PBS. O filme mostra a fragilidade da democracia, contando a história de sua degradação na Alemanha a partir da visão de advogados, juízes e professores de direito, que viram como sua nação governada pela Constituição foi derrubada pela retórica de Hitler.

Blessed Are the Peacemakers. Produção: World Council of Religions for Peace (WCRP).

Living Yoga: The Life and Teachings of Swami Satchidananda. Swami Satchidananda foi um dos primeiros mestres de Yoga a popularizar a tradição clássica da Yoga e sua filosofia no Ocidente. Seu papel no nascimento do movimento moderno da Yoga e seu impacto no mundo é narrada neste  documentário que informa, diverte e provoca.

Bibliografia

EDMUND THOMAS CLINT. Site: http://edmundthomasclint.com/

KEA, Basheer. Clint: Short Life of a Gifted Child.

NAIR, Ammu. A Brief Hour of Beauty.

GRANDE ATENTADO NA FRANÇA E PEQUENOS ATENTADOS NO BRASIL

10 jan

Quem não tem senso de humor devia se matar e não matar quem tem. A charge abaixo foi publicada pela revista Charlie Hebdo em 2011 depois que sua redação foi destruída por um incêndio criminoso, num primeiro atentado de islamitas fanáticos ao grupo que havia ousado republicar as famosas “caricaturas de Maomé” publicadas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten no dia 30 de setembro de 2005, que levaram os islamitas fanáticos a desencadear uma jihad global, causando uma série de mortes, atentados e destruições de embaixadas ao redor do mundo:

Je suis Charlie. (3)O atentado de 2011 à Charlie Hebdo não fez nenhuma vítima fatal, mas a redação da revista foi toda destruída:

des-menaces-depuis-les-caricatures-de-mahomet

No dia 7 de janeiro de 2014, o atentado na redação da Charlie Hebdo matou 12 pessoas e feriu 11 (4 em estado grave). Foram mortos o editor Stephane Charbonnier (Charb), o veterano cartunista judeu tunisino Georges Wolinsky, o vice-editor, três outros cartunistas-estrela, um revisor de origem árabe, dois colunistas (uma psicanalista e um crítico literário), dois policiais (um de origem árabe) e um funcionário de um prédio vizinho.

Os dois policiais eram aqueles que sempre acompanhavam Charb depois que ele foi marcado para morrer pela Al Quaeda. Já o carro da polícia que protegia a revista igualmente ameaçada não aparecia há um mês, pois a segurança relaxara com as festas de fim de ano. Os dois irmãos terroristas islâmicos monitoravam o local e esperaram o momento certo de atacar.

No dia seguinte, em sua rota desesperada de fuga, os dois terroristas sequestraram os fregueses de um supermercado judaico, o Hyper Kacher, e ali mataram quatro judeus antes mesmo que a polícia chegasse – e talvez matassem mais alguns, mas felizmente foram abatidos numa arriscada operação policial. A namorada de um dos terroristas também matou uma policial. A França viveu seu pior pesadelo desde as bombas colocadas por islamitas nas estações de metrô nos idos de 1980.

O atentato terrorista à liberdade de imprensa na França fez esse país e todo o mundo civilizado despertar para a fragilidade dessa liberdade e da própria democracia. Subitamente, o fato brutal esvaziou, no Brasil, os discursos da esquerda fascista, que insiste em atacar a imprensa livre, chamando-a de PIG (Partido da Imprensa Golpista), emporcalhando a redação da Veja e queimando exemplares da revista, atirando coquetéis molotov contra o prédio da Rede Globo, destruindo carros de jornalistas durante manifestações de protesto, disseminando as violentas caricaturas assinadas por Maringoni e Carlos Latuff.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ao contrário da esquerda francesa, a nossa não suporta a liberdade de expressão. O cartunista Maringoni, por exemplo. Trata-se do vereador Gilberto Maringoni, do PSOL, candidato derrotado a governador no Rio de Janeiro. Para ele, a Veja é um “panfleto fascista da extrema-direita brasileira”, e o resto da imprensa livre – Folha de São Paulo, Rede Globo, Estado de S. Paulo, Zero Hora – só deferiria da Veja no tom, sendo toda ela fascista: “Eles trabalham quase que como um partido único. São sete ou oito grupos que controlam a opinião de brasileiros”, declarou em novembro de 2005 numa entrevista a Nestor Cozetti, no Boletim 79 do NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação.

Preocupada com a coincidência do ataque terrorista contra a imprensa livre na França com os ataques esquerdistas contra a imprensa livre no Brasil, que se elevaram durante a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014, e culminaram nas repudiadas declarações do recém-empossado Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini (PT), a revista Carta Maior publicou o artigo ATENTADO CONTRA A EXTREMA-ESQUERDA NA FRANÇA, tentando tirar o foco das atenções da questão da liberdade de imprensa e redirecionar a onda de indignação para os inimigos da extrema-esquerda:

Entender o atentado de 7 de janeiro, um dos mais graves já ocorridos na França, apenas como um ataque à liberdade de expressão é uma meia verdade e envolve um grande risco político de interpretação.

Que grande risco político é esse? Para a Carta Maior, é o de defender a liberdade de expressão que a esquerda tupiniquim quer controlar, como esquerda fascista que é. Por isso precisa definir o ataque terrorista à imprensa livre como um ataque à “extrema-esquerda”, e a liberdade de expressão de Charlie Hebdo como “meio” para outros fins mais gloriosos:

A liberdade de expressão de Charb, Cabu, Wolinski e a equipe do Charlie Hebdo era um meio para um posicionamento político radicalmente democrático e profundamente progressista, na tradição da extrema-esquerda francesa.

Grifemos essa barbaridade:

A liberdade de expressão de [Charlie Hebdo] era um meio para um posicionamento político radicalmente democrático e profundamente progressista, na tradição da extrema-esquerda francesa.

Uau! Então ela não valia muita coisa, era apenas um meio, algo a ser descartado após a tomada do poder… Algo semelhante ao projeto PT-Berzoini de controle social das mídias… Essa é a visão fascista de Carta Maior, que prossegue em sua hediondez:

O risco de interpretar o atentado como meia verdade é alimentar ainda mais um dos principais oponentes do semanal satírico, o fascismo europeu, e fomentar a polarização entre os extremistas de direita e do Islã.

Mas desde quando a liberdade de expressão é uma bandeira do fascismo europeu? O fascismo só defende a liberdade de expressão como meio para chegar ao poder, exatamente como a Carta Maior vê a liberdade de expressão de Charlie Hebdo.

Mas era assim que Charlie Hebdo via sua liberdade de expressão? Parece que não. Mas antes de dar a palavra a Charb, ouçamos mais uma barbaridade de Carta Maior:

Não indicar os assassinatos de Paris como um atentado à extrema-esquerda – e simplesmente contra a sociedade ocidental e a liberdade de expressão no abstrato – abre espaço para fortalecer aquilo que os jornalistas do Charlie Hebdo mais repudiavam: a extrema-direita.

Ora, afirmar que a extrema-direita era o que Charlie Hebdo mais repudiava é que é uma meia-verdade, uma vez que a própria Carta Maior, entrando em evidente contradição, cita, finalmente, Charb a igualar a Frente Nacional ao fascismo islâmico:

E como dizia Charb: “A Frente Nacional e o fascismo islâmico são da mesma seara e contra eles não economizamos nossa arte’”.

Ou seja, o inimigo do semanário era o fascismo, seja o da Frente Nacional, seja o do Islã. Podia não perceber o fascismo de esquerda, mas já percebia muito claramente o do Islã – o que a esquerda e a extrema-esquerda absolutamente não viam e não veem, ou melhor, não queriam e não querem ver.

E por isso esse reles pasquim sem grande expressão – e não outros jornais de esquerda e de extrema-esquerda mais respeitáveis, como Le Monde, L’Humanité ou Libération – foi bombardeado em 2011 e teve seus cartunistas e redatores executados em 2014.

Basta ouvir o comovido apelo de Philippe Val, ex-diretor de Charlie Hebdo, dirigido a todos, mas especialmente à esquerda omissa em relação ao fascismo islâmico:

Não podem nos deixar sós diante desse perigo que é real, e que há muito tempo denunciamos, sem que quisessem acreditar.

Val respondeu aos jornalistas de esquerda que ironizaram as denúncias do fascismo islâmico pelo Charlie Hebdo:

As ideologias de esquerda fizeram 40 milhões de mortos! E na França a extrema-esquerda é terrorista, nos anos 60 se aliou aos movimentos árabes. É preciso que os jornalistas digam a verdade sobre o que está acontecendo, as pessoas da rua esperam ouvir a verdade, ou tudo isso será recuperado pela extrema-direita. E será terrível.

Carta Maior: respeite esses mortos!

lo9go

Os mortos nem esfriaram e toda a esquerda fascista brasileira, que se bate pelo “controle das mídias”, já se realinhou contra o movimento mundial #JeSuisCharlie (#EuSouCharlie). Movimento espontâneo da decência e da dignidade humanas contra o terror que visa exterminar a liberdade, como mostram essas imagens coletadas logo após o atentado:

Este slideshow necessita de JavaScript.

O cartunista israelofóbico brasileiro Carlos Latuff manifestou-se imediatamente, como autodenominado “monitor do Oriente Médio”, contra as possíveis reações islamofóbicas do atentato islamita à liberdade de imprensa na França (alguns dos jornalistas de Charles Hebdo eram judeus e homossexuais), seguida pelo atentado antissemita no Hyper Kacher, o supermercado judaico, onde quatro judeus foram assassinados pelos dois terroristas, antes mesmo da chegada da polícia, apenas por serem judeus, caracterizando o racismo assassino do grupo:

EU NÃO TRABALHARIA NA CHARLIE

ATIRADORES CONTRIBUÍRAM COM A ISLAMOFOBIA

A caricatura que Latuff dedicou ao episódio ressalta que sua maior preocupação não era com o massacre de artistas, jornalistas e judeus perpetrado por terroristas islâmicos em Paris, mas a islamofobia – uma reação psicológica que se pode considerar como natural em uma sociedade que passa a ser alvo do terror islâmico:

Carlos Latuff, o cartunista judeufóbico brasileiro, está mais preocupado com a 'islamofobia'.

Em apenas um dia, um batalhão de blogueiros brasileiros “progressistas” passou a minar o espírito de liberdade do movimento mundial contra o terror com um movimento oposto, insidioso e nefasto: #JeNeSuisPasCharlie (#EuNãoSouCharlie).

Para essa esquerda antiocidental, antiliberal, antiamericana e antissionista, todos os argumentos são válidos para desviar o foco do terror islâmico e justificar suas ações – que se tornam sempre reações – ruins, claro, mas compreensíveis diante das provocações, malfeitos, imperialismos, terrorismos, racismos e xenofobias do Ocidente.

Eis apenas alguns exemplos da febril atividade mental desviada desses defensores do indefensável em seus malabarismos lógicos para se manterem imunes à Realidade, e eternamente fiéis à Ideologia, por mais negada que ela seja pelos fatos:

Leonardo Boff:

EU NÃO SOU CHARLIE / JE NE SUIS PAS CHARLIE

Lelê Teles / 247:

JE NE SUIS PAS CHARLIE

Plínio Zúnica / Opera Mundi:

POR QUE NÃO SOU CHARLIE HEBDO / JE NE SUIS PAS CHARLIE

Mas nossa brava e corajosa esquerda fascista e antissemita não está sozinha. Ela está em muito boa companhia repudiando a liberdade ao lado da Direita Católica e dos fascistas franceses da Frente Nacional:

Dominus Est / Católicos de Ribeirão Preto:

JE NE SUIS PAS CHARLIE

Jean-Marie Le Pen / Frente Nacional:

JE SUIS DESOLÉ, JE NE SUIS PAS CHARLIE

PARA SABER MAIS:

Para jornalista da Charlie Hebdo, ataque foi ‘ato de guerra’. 

“Nous vomissons sur ceux qui, subitement, disent être nos amis», affirme l’un des dessinateurs de Charlie Hebdo.

Os números de 2014

29 dez

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 18.000 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 7 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

RODOLFO MONDOLFO E O DESTINO DOS JUDEUS ITALIANOS

28 set

Na obra Mondolfo e as interrogações do nosso tempo, de Djacir Menezes (Faculdade Nacional de Filosofia / Universidade do Brasil, 1963), há em anexo uma carta do filósofo italiano Rodolfo Mondolfo, em resposta a algumas perguntas do autor, que considero um importante documento sobre a perseguição dos judeus na Itália fascista, após a decretação das Leis Raciais em 1938, e que reproduzo aqui em imagens escaneadas do livro.

1

2 3

ARTISTAS BOICOTADORES DE ISRAEL – PARTE 2: A SEQUÊNCIA

4 set

 

Partners - 31a Bienal before

O obscuro artista libanês militante da causa palestina que divulgou via Facebook o manifesto dos 55 artistas boicotadores de Israel, que exigiam da 31ª Bienal de São Paulo, com orçamento total de R$24 milhões, a retirada do apoio de R$90 mil que Israel destinou à exposição de 3 artistas israelenses selecionados, cantou vitória anunciando, pela mesma via, que os 55 foram ouvidos.

Após “negociações coletivas”, a Fundação Bienal comprometeu-se a retirar o logo do Consulado de Israel como “patrocinador máster” do evento, mantendo-o apenas aos artistas israelenses apoiados. “Essa transparência será aplicada a todos os financiamentos nacionais para artistas na Bienal.”, afirmou o obscuro artista libanês.

Como essa segregação seria feita não foi explicado, mas parece que um papelote deve ser toscamente colado nos cartazes e catálogos já impressos, explicando que os apoios são específicos de cada artista/país. A grotesca solução proposta pela Fundação Bienal após as “negociações coletivas” (imagino cenas bizarras e de horror típicas de assembleias comunistas, nazistas e islamitas) satisfez os artistas boicotadores de Israel.

Segregando os três israelenses com o logo do Consulado de Israel simbolicamente convertido em “estrela amarela” pelo movimento BDS, imposta com a cumplicidade da Fundação Bienal, que “não tinha como devolver o dinheiro”, os 55 artistas boicotadores de Israel atingiram seu objetivo de confundir guerra com genocídio, autodefesa com massacre, terrorismo com resistência e arte com propaganda.

Baseados em crenças de inspiração nazista, os artistas do evento macabro que abre suas portas nesta sexta-feira em São Paulo conseguiram impor sua vontade totalitária à organização brasileira, sob o pretexto de que “o financiamento [de Israel] pode comprometer e minar a razão de existência de seus trabalhos”.

Entendemos melhor o caráter propagandístico da “arte” a ser exposta nessa Bienal islamizada ao sermos informados pelo artista libanês militante da causa palestina que “a luta por autodeterminação do povo palestino se reflete nos trabalhos de muitos artistas e participantes da Bienal, envolvidos com direitos humanos e lutas populares em escala global.”

Sabemos qual é o caráter desses “direitos humanos” e dessas “lutas populares em escala global”: ele nada tem a ver com a violação dos direitos humanos praticada na maioria dos países envolvidos com a causa palestina, mas sempre e apenas com as supostas violações cometidas por Israel.

Dois dos três artistas israelenses financiados por Israel assinaram o manifesto e participaram do Boicote BDS ao seu país. Nada como cuspir no prato em que se come! É uma atitude nobre e corajosa, que mostra o que vale a ética na sociedade global dominada pelo islamofascismo aliado às esquerdas totalitárias.

O manifesto de Facebook conclui-se com a seguinte frase de efeito: “A opressão de um é a opressão de todos.” Os 55 artistas que agora oprimem os 3 colegas israelis, que passam a ser vistos (com o colaboracionismo masoquista de 2 deles) como animais no zoo, não se sentem como opressores.

Henrique Sanchez, membro do Movimento Palestina para Tod@s (Mop@t), atuante no Brasil desde 2008, declarou que “a desvinculação do apoio de Israel à Bienal foi uma importante vitória” do movimento BDS, abrindo “precedentes para a construção de amplas ações, iniciativas e campanhas de boicote cultural no Brasil”.

O caso demonstra que ceder o mínimo que seja ao terrorismo infiltrado acarreta consequências devastadoras à democracia do país hospedeiro. Dois artistas palestinos ficaram indignados com o fato de o site do Consulado de Israel linkado na página da Bienal informar que as recentes operações militares do país em Gaza eram atos de autodefesa contra as hostilidades iniciadas pelo Hamas. Ou seja, eles se indignaram com a verdade! Querem impor a mentira palestina ao mundo inteiro, e até mesmo no site do Consulado de Israel.

Um desses paranoides afirmou que “jamais teria aceitado participar de uma mostra se soubesse que seria patrocinada por Israel”. Adepto do apartheid de Israel no mundo ele assim conclui sua arenga racista: “Eles querem nos usar por meio da arte para legitimar e purificar o genocídio que eles estão conduzindo agora na faixa de Gaza.” A visão que o Palestino Vitimado tem do mundo é um inferno, e ele não cessa de expandi-la aonde quer que esteja, até que o inferno que ele criou em sua mente tenha o tamanho da Terra.

Ataques terroristas são legítimos; defender-se deles, não: essa é a lógica terrorista dos terroristas. Os quatro árabes (dois palestinos, um egípcio e um libanês) interessados no BDS contra a Bienal paulista que os selecionou recusaram-se a abandonar simplesmente a mostra, alegando que o contrato assinado com a Fundação os obrigava a devolver o dinheiro da produção de seus trabalhos. Que chato, hein? A dignidade tem um preço, mas esses paladinos da Justiça não estão dispostos a pagá-lo.

O mais curioso é que o artista libanês que assumiu a liderança do protesto confessou temer ser punido em seu país ao retornar de uma Bienal apoiada por Israel: “Participar dessa mostra pode ter graves consequências legais para mim”, declarou à imprensa. Como é? O campeão dos direitos humanos “violados” por Israel teme voltar ao seu país e sofrer sanções e sabe-se lá mais o quê só por ter participado de uma mostra patrocinada por Israel?

O coitado do artista que vive sob tal regime de opressão deveria boicotar, antes de tudo, seu próprio país e a si próprio, excluindo-se de todo e qualquer evento em que seu trabalho, quando financiado por seu país, é assim manipulado para legitimar graves violações de seus direitos humanos.

DOCUMENTAÇÃO

Nota emitida pelo Consulado de Israel em 8 de setembro de 2014

O Estado de Israel e seu Ministério de Relações Exteriores cooperam de longa data com a Bienal de São Paulo, e obras israelenses foram exibidas em cada uma das Bienais realizadas.

Alguns meses atrás, curadores da Bienal se dirigiram ao nosso Ministério, solicitando a participação de Israel, como sempre tem sido feito – e paralelamente examinando as possibilidades de Israel contribuir financeiramente para a Bienal. Israel propôs certa quantia, os curadores solicitaram um aporte maior e Israel acedeu a este pedido também.

Alguns dias antes da inauguração da mostra, foi publicado manifesto de um grupo de artistas em repúdio ao patrocínio de Israel, manifesto esse apoiado por determinados curadores – parte dos quais haviam anteriormente procurado Israel para solicitar sua contribuição financeira.

Israel considera a atitude dos artistas signatários e o apoio destes curadores como uma iniciativa nefasta, contraproducente, nociva e moralmente condenável, que pretende prejudicar, boicotar e discriminar um Estado participante da Bienal. Esta iniciativa é negativa para a arte e a cultura, que os artistas da Bienal deveriam apreciar e proteger, pois arte e cultura são linguagens universais, que não conhecem limites e fronteiras.

Elas podem e devem aproximar povos e segmentos sociais e políticos. A atitude dos artistas e curadores causou prejuízo a estes mesmos princípios, ao prestígio da arte e da cultura em geral e ao da Bienal, em particular.

Política e cultura não devem se misturar e não se deve utilizar e se aproveitar da cultura para atingir fins políticos. A Bienal se realiza para expressar e dar espaço adequado e importante para a arte e a cultura – as lutas políticas se devem fazer nos foros políticos nacionais e internacionais adequados, que foram constituídos para esses fins.

A inaceitável tentativa – já frustrada –  dos artistas assinantes com o apoio dos curadores de “sequestrar” a Bienal para fins políticos é contra os princípios que devem reger os importantes eventos culturais internacionais.

O Consulado Geral de Israel em São Paulo agradece ao presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Dr. Luis Terepins, ao Conselho da Bienal e a todos aqueles que se esforçaram para chegar a uma solução viável para todos e permitiram a realização da Bienal, com a participação de todos os países e patrocinadores do evento, contribuindo assim para salvaguardar a mostra dos prejuízos que a atitude daqueles artistas e curadores poderia ter acarretado.

Posição do Presidente da Bienal

Luis Terepins, presidente da Bienal, declarou: “Somos uma instituição plural, não tomamos partido”, disse à Folha de S. Paulo. “Buscamos apoio de todos sem discriminação. Esse problema que existe entre Israel e palestinos fica lá. O grande exemplo que a temos de dar é o que buscamos construir.”

Como os curadores da Bienal apoiaram o manifesto – “o tema é maior que a 31ª Bienal” -, a solução “intermediária” encontrada foi definir que o patrocínio de Israel será apenas para os quatro artistas israelenses presentes na mostra.

Resposta de Leandro Spett Spett

O jovem artista Leandro Spett Spett repudiou o manifesto, que qualificou de uma iniciativa “patética, pífia e contraproducente. […] A arte está acima de rótulos, etiquetas e plataformas políticas. Ela jamais poderia ser sequestrada por quem se julga superior. Estes artistas fizeram da arte e do evento seus reféns, eles sequestraram a Bienal. […] É justo criticar qualquer país e sua política, mas por meio da arte e não nos bastidores”:

Crítica de Sheila Lerner

Num artigo para O Estado de S. Paulo, a crítica Sheila Leiner mostrou a contradição do artista libanês boicotador de Israel, que “trabalha com o dinheiro da Bienal (já que o Líbano não patrocina o evento), ao mesmo tempo em que questiona o patrocínio”. E também destacou a essência do movimento BDS, que gera “ódio, exerce coação, ameaça, influencia pessoas e tenta impor sua vontade pelo uso da apreensão”, concluído: “Esta é exatamente a forma de ação política que define o terrorismo”.

2

FONTES

Boletim Informativo da Confederação Israelita do Brasil, 11/09/2014.

FRANCISCO NETO, José. Bienal de Arte de São Paulo não terá mais o apoio de Israel. Brasil de Fato, 01 de setembro de 2014. Disponível em: http://www.brasildefato.com.br/node/29688.

MARTÍ, Silas. Árabes ameaçam deixar Bienal por causa de patrocínio de Israel. Folha de S. Paulo, 28 de agosto de 2014. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/08/1506926-arabes-ameacam-deixar-bienal-por-causa-de-patrocinio-de-israel.shtml.

ARTISTAS BOICOTADORES DE ISRAEL

30 ago

31-bienal-de-sao-paulo-big

Politicamente, os 55 artistas que exigem da Fundação Bienal de São Paulo a retirada do apoio que Israel deu ao evento em sua 31ª edição, para a qual foram selecionados, estão mais atrasados que o Anão Diplomático, que já autorizou o retorno de seu embaixador a Tel-Aviv, após as tão “necessárias” consultas empreendidas durante o conflito provocado pelos terroristas do Hamas em Gaza.

Numa Carta Aberta à Fundação Bienal, eles escrevem que “ao aceitar esse financiamento [não especificado no texto], o nosso trabalho artístico exibido na exposição é prejudicado [sic] e, implicitamente, usado para legitimar agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos em curso em Israel [sic]”. Ou seja, o “dinheiro sujo” de Israel prejudica o trabalho e corrompe as boas intenções desses artistas puros…

Puros de alma como os “cristãos velhos de sangue limpo” e os “arianos de sangue puro”, eles recaem na noção mística primitiva aplicada aos judeus pela Inquisição e revivida pelo Nazismo, segundo a qual os judeus são os “contaminadores” do mundo.

Os artistas boicotadores de Israel seguem igualmente os métodos que os nazistas inauguraram em 1933 nos chamados Boicotes aos Judeus, com a diferença de que hoje essas práticas antipáticas da extrema-direita são redimensionadas para um movimento cool e pós-moderno: o Boicote ao Estado Judeu, também chamado de BDS (Boycotts, Divestment and Sanctions against Israel), articulado pelos militantes palestinos.

Como que dotados de um faro apurado de cães de caça, os artistas engajados no BDS detectaram que “a Fundação Bienal de São Paulo aceitou dinheiro do Estado de Israel” e apontaram seus dedos duros: “o logo do Consulado de Israel aparece no pavilhão da Bienal, em suas publicações e em seu website”. Oh!

Selecionados por uma Bienal que descobrem estar assim “contaminada pelo dinheiro de Israel”, os 55 artistas ingratos (incluindo eventuais judeus que desprezam seu povo) exigem agora, num ultimátum, que aquela Fundação “amiga de Israel” escolha: ou ela devolve o que recebeu de Israel, ou eles retiram suas obras da exposição. Como são importantes!

Tivessem coerência ideológica, e não quisessem de fato expor seus trabalhos dentro de uma Bienal “amiga de Israel” para “legitimar” com suas obras ditas artísticas “agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos”, de que culpam exclusivamente o Estado Judeu, como bode expiatório do mundo assim “purificado” por um ódio que se quer universal, eles é que simplesmente se retirariam do evento.

Poderiam então montar uma Bienal paralela de protesto, para a qual certamente encontrariam generoso financiamento das ditaduras do Oriente Médio que exterminam homossexuais, lapidam mulheres e usam crianças como carne de canhão. Esse apoio não prejudicaria em nada seus trabalhos sensíveis apenas ao contato com o “maldito” Estado de Israel.

Mas isso logo não lhes bastaria, pois o que esses artistas querem mesmo é perseguir Israel: “Rejeitamos a tentativa de Israel de se normalizar dentro do contexto de um grande evento cultural internacional no Brasil”, afirmam delirantes, querendo que o mundo pregue no peito do Estado Judeu uma enorme estrela amarela.

Com empáfia, os artistas boicotadores de Israel demonstram odiar esse Estado acima de todos os outros, sobre os quais não veem pesar quaisquer “agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos”, incluindo o Brasil entre os Estados campeões da Justiça da chamada “comunidade internacional”.

Não convém lembrar os 50 mil assassinatos anuais que ocorrem no país-sede da Bienal, recriminado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelo desrespeito aos indígenas em Belo Monte e pela ONU por toda a barbárie reinante em seus presídios superlotados, verdadeiras masmorras medievais, segundo o próprio Ministro da Justiça do atual governo, que nada faz para mudar a situação.

Os artistas alérgicos ao “dinheiro do Estado Judeu” não são afetados com os prêmios, apoios, bolsas e pagamentos que  recebem de seus e de outros Estados violadores dos Direitos Humanos. Só um Estado os incomoda no mundo. “Israel é a nossa infelicidade”, pensam com amargura os 55 paladinos da ética ao se juntar, para aliviar seus corações, ao que há de mais retrógrado e de podre no mundo atual.

FONTE DAS FRASES CITADAS

FILHO. Celso. Em carta aberta, artistas repudiam apoio de Israel à Bienal de São Paulo. O Estado de S. Paulo, 29 Agosto 2014. Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,em-carta-aberta-artistas-repudiam-apoio-de-israel-a-bienal-de-sao-paulo,1551594.

OS PINÓQUIOS DO HAMAS FAZEM SUCESSO NO BRASIL

24 jul
pinoquio-nariz-grande-attilio-mussino

Ilustração de Attilio Mussino (1878-1954) para Avventure di Pinocchio, de Carlo Collodi, edição R. Bemporad e figlio, de 1911.

O MEMRI traduziu do árabe para o francês (que verto aqui para o português) um documento de extremo interesse para quem acompanha o conflito entre o Estado de Israel e os terroristas do Hamas, que controlam o território de Gaza, fazendo do povo palestino uma vítima das conhecidas barbáries perpetradas pelo fundamentalismo islâmico travestido de “resistência”:

MENSAGEM PARA OS ATIVISTAS DO FACEBOOK NO SITE DO MINISTÉRIO DO INTERIOR DO HAMAS

EXCERTOS DAS DIRETRIZES DO DEPARTAMENTO:

Toda pessoa morta ou caída como mártir deve ser chamada de “civil de Gaza ou Palestina”, antes de especificar o seu papel na Jihad ou posto militar. Não se esqueçam de sempre acrescentar as palavras “civis inocentes” ou “inocentes”, referindo-se às vítimas dos ataques de Israel em Gaza.

Comecem [seus relatórios sobre] as ações de resistência pela expressão “em resposta ao cruel ataque israelense” e concluam com a frase: “essas numerosas pessoas são mártires desde que Israel lançou sua agressão contra Gaza.” Sempre se certifique de manter o princípio: “o papel da ocupação é atacar, e nós na Palestina estamos sempre no modo reativo.”

Tenham cuidado para não espalhar boatos de porta-vozes israelenses, especialmente aquelas que afetam o front interno. Cuidado para não adotar a versão [dos acontecimentos] da ocupação. Vocês devem sempre emitir dúvidas [sobre a versão deles], refutá-la e considerá-la como falsa.

Evitem postar fotos de ataques de foguetes sobre Israel a partir dos centros da cidade de Gaza. Isso [serviria] de pretexto para atacar áreas residenciais da faixa de Gaza. Não publiquem ou não partilhem fotografias ou clipes de vídeo mostrando locais de lançamento de foguetes ou [as forças] do movimento de resistência na faixa de Gaza.

Para os administradores de páginas de informações no Facebook: não publiquem fotos de homens mascarados com armas pesadas em grande plano, para que sua página não seja fechada [pelo Facebook] sob o pretexto de incitamento à violência. Em suas informações, certifique-se de especificar: “os obuses localmente manufaturados usados pela resistência são uma resposta natural à ocupação israelense que deliberadamente dispara foguetes contra civis na Cisjordânia e em Gaza”…

Além disso, o Ministério do Interior preparou uma série de sugestões destinadas aos ativistas palestinos que interagem com os ocidentais através das mídias sociais. O Ministério sublinha que essas conversas devem diferir das trocas com outros árabes:

Quando vocês falam para o Ocidente, devem usar um discurso político, racional e convincente e evitar o palavreado emotivo choramingas da empatia emocional. Alguns ao redor do mundo estão dotados com uma consciência; vocês devem manter contato com eles e usá-los em benefício da Palestina. O papel deles é provocar vergonha pela ocupação e expor suas violações.

Evitem entrar numa discussão política com um ocidental para convencê-lo de que o Holocausto é uma mentira e uma enganação; por outro lado, associe-o aos crimes de Israel contra civis palestinos.

A narrativa da vida em comparação com a narrativa do sangue: [falando] para um amigo árabe, comecem com o número de mártires. [Mas falando] para um amigo ocidental, comecem com o número de mortos e feridos. Certifiquem-se de humanizar o sofrimento palestino. Tentem retratar o sofrimento dos civis em Gaza e na Cisjordânia durante as operações da ocupação e seus bombardeios de cidades e vilas.

Não postem fotos dos comandantes militares. Não mencionem seus nomes em público, não louvem os sucessos deles nas conversas com amigos estrangeiros! [1]

A “Mensagem para os ativistas do Facebook” postada no site do Ministério do Interior do Hamas revela com clareza que esse grupo terrorista possui uma estratégia de propaganda digna de um Josef Goebbels, mesclada, contudo, a uma ingenuidade que chega a ser infantil (Goebbels jamais divulgava publicamente suas estratégias de propaganda), que a torna ainda mais fascinante para os que sofrem de esquerdismo, essa “doença infantil do comunismo” (nas famosas palavras de Lenin) e que adotam a estratégia proposta pelos terroristas islâmicos mesmo sabendo tratar-se de mentiras puras, distorções da verdade e falsificação dos fatos.

Especialmente no Brasil a estratégia perversa do Hamas alcançou um alto índice de popularidade junto à população letrada, sendo adotada por toda a esquerda idiotizada pela ideologia (a “falsa consciência”, na célebre definição de Marx), pelas “mídias independentes” e muito frequentemente pelas mídias de consumo, e agora até pelo próprio governo. Numa nota divulgada a 23/07/2014, o Itamaraty fez um de seus pronunciamentos mais lamentáveis, igualmente digno de Josef Goebbels:

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças. O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes. Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje. Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas. [2]

Mais uma vez, por obra desse governo, o Brasil se viu exposto ao ridículo e ao vexame mundiais. Quer dizer então que um país em eterna guerra civil, onde a cada ano 50 mil pessoas morrem assassinadas, incluindo mulheres e crianças, quer se alçar como árbitro de um conflito externo sobre o qual nada entende? Chamar o embaixador do Brasil em Tel-Aviv para consultas?! O Brasil quer romper relações diplomáticas com Israel? Já fomos promovidos ao status da Venezuela?

A Chancelaria de Israel respondeu à altura: “Esta é uma lamentável demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático. O relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas ao invés de contribuir para soluções.”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor [3], que ironizou a derrota brasileira na Copa como exemplo de desproporcionalidade, explicando que a guerra não é uma partida de futebol, e que só não há centenas de mortos em Israel porque esse país construiu um sistema anti-mísseis eficiente, e não se desculpará por isso. [4]

O embaixador brasileiro respondeu dizendo em tom bovino que seu país reconhecia o direito de defesa de Israel, mas não aceitava a desproporção das mortes palestinas. Ou seja, Israel pode se defender dos ataques terroristas palestinos desde que morra de seu lado um número igual ou próximo. Infelizmente, Israel zela pela vida e pela segurança de seus cidadãos e, por isso, não pode oferecer centenas de mortos para satisfazer o senso de proporcionalidade dos antissemitas. 

A posição alucinada do Itamaraty foi criticada pela CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e pela ANAJUBI (Associação de Advogados Brasil-Israel), mas louvada, é claro, na Faixa de Gaza: “O Brasil é melhor do que os países árabes, como o Egito, que não fazem nada”, reportou o correspondente Diogo Bercito da Folha de S. Paulo [5]. Estamos mal mesmo, nos alinhando com os terroristas palestinos que nem os países árabes apoiam mais, e seguindo à risca as diretrizes dos Pinóquios do Hamas…

Fontes:

[1]: http://www.memri.fr/2014/07/22/directives-du-ministere-de-linterieur-du-hamas-aux-activistes-en-ligne-parlez-toujours-de-civils-innocents/

[2]: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1490447-israel-repudia-critica-do-brasil-sobre-bombardeios-na-faixa-de-gaza.shtml?cmpid=%22facefolha%22

[3] http://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/Brazil-recalls-ambassador-for-consultations-in-protest-of-IDF-Gaza-operation-368715

[4]: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/porta-voz-de-israel-reage-e-afirma-que-desproporcional-e-7-1.html

[5]: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1490447-israel-repudia-critica-do-brasil-sobre-bombardeios-na-faixa-de-gaza.shtml?cmpid=%22facefolha%22

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 36 outros seguidores