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ENCONTRO COM NATASHA MASHKEVICH

9 out

A chave de Sarah.

Durante o FestiFrance BH Brasil 2015, no Sesc Palladium, participei do debate com a atriz Natasha Mashkevich sobre o filme Sarah’s Key (A chave de Sarah, 2011), de Gilles Paquet-Brenner, estrelado por Kristin Scott Thomas e premiado nos EUA, na Alemanha e no Japão.

Natasha – que imigrou de seu Quirguistão natal para Israel, depois para a Bélgica e a França, onde se casou com o produtor Roberto de Matos, mineiro radicado em Paris, razão pela qual o português é agora uma das seis línguas que ela domina – faz o papel de Madame Starzynski, a mãe de Sarah.

Foto de Julien Bonet.

Natasha Mashkevich no papel de Madame Starzynski. Foto de Julien Bonet.

A história da chave de Sarah é tão tremenda que duvido que alguém, depois de ver o filme, se esqueça dela até a morte. No debate, Natasha disse que o filme foi bem recebido na França, apesar do tema incômodo da Colaboração.

Observei que embora houvesse muitos filmes sobre o Holocausto, Sarah’s Key era dos primeiros a mostrar de forma realista, com uma reconstituição exata, a deportação dos judeus organizada pela polícia francesa, que aprisionou 76 mil judeus no Velódromo de Inverno em julho de 1942 antes de enviá-los para os campos de concentração nazistas.

No debate, observei que a recusa da França em assumir o passado colaboracionista, escancarado pela primeira vez em Le Chagrin et la Pitié (A dor e a piedade, 1969), de Marcel Ophüls, substituída na cultura francesa do pós-guerra pela memória seletiva de exaltação à Resistência, ligava-se a dois fatores.

Primeiro, à vergonha de milhões de franceses terem sido dominados durante a Ocupação por apenas alguns milhares de alemães. Segundo, à tradição do antissemitismo francês, que vem da Idade Média, passa pelo caso Dreyfus e pela Colaboração, e permanece forte até hoje.

Há quem negue haver antissemitismo hoje na França. Mas basta lembrarmos de Alain Soral e Dieudonné – processados e condenados em seu país por antissemitismo – e as passeatas contra Israel onde se proferiram gritos de “judeus para as câmaras de gás”, para entendermos porque muitos judeus franceses estão atualmente deixando o país.

Quando fui visitar o Memorial da Shoah em Paris, meio perdido nas paralelas do Sena, pedi informações a uma francesa esclarecida, que estranhou o nome do museu, e depois, ao ver o mapa que eu trazia, disse: “Ah, é o Memorial da Guerra, eles o chamam de Memorial da Shoah, mas para nós é o Memorial da Guerra.”

O antissemitismo francês atual manifesta-se nessas sutilezas. Outro exemplo: os acadêmicos franceses celebram em peso um escritor medíocre, colaboracionista, notoriamente antissemita: Céline. Suas obras foram há tempos imortalizadas pela Pléiade. Já a grande escritora Simone de Beauvoir ainda não foi posta nesse cume.

Segundo Pierre-André Taguieff em La nouvelle judéophobie (A nova judeufobia, 2002), a nova judeufobia manifesta-se mais violentamente entre os imigrantes das ex-colônias que aderiram à radicalização político-religiosa. Mas eles encontraram incentivo e solidariedade junto aos novos movimentos antiglobalização.

Franceses já são os filhos dos imigrantes nascidos na França que manifestam antijudaísmo; e os nativos de velha cepa apropriam-se indiretamente da nova judeufobia através da  palestinofilia contagiante e do antirracismo focado apenas na islamofobia e que mantém, assim, a boa consciência dos militantes.

Após o debate conversei com a bela e simpaticíssima Natasha, que me disse que tinha escrito um roteiro e desejava dirigi-lo. Perguntei sobre a história e ela me revelou apenas que girava em torno de dois temas: a escolha e o abandono. Mais ela não podia dizer… Pedi-lhe, claro, um autógrafo para a minha coleção.

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No dia seguinte assisti à peça Nossa Senhora do Perpétuo Donuts, um monólogo de Jordan Beswick, com Natasha Mashkevich encarnando a personagem real Edna Howard, uma mulher comum que tinha tudo para ser deprimida, infeliz e até se matar, mas que escolheu ser alegre, feliz, e viver sem remoer o passado.

Estuprada noite após noite pelo pai, com a cumplicidade da mãe e dos dois irmãos, que fingiam nada saber do que ocorria, teve forças de fugir de casa para se casar com seu “príncipe encantado”, que logo se revelou um alcóolatra, que a surrava dia sim dia não.

A maternidade e os filhos eram o refúgio de Edna, até que, esgotada, disse ao marido que, se ele não mudasse, o abandonaria. O machista psicopata então quase a matou de pancadas. Foi quando Edna decidiu procurar um advogado e conseguiu o divórcio.

Liberta do jugo do marido, obteve dele sua loja de donuts, mas sem capital e estoque nem o serviço de limpeza, antes feito pela “namorada” dele, quase teve que fechar as portas. Ela confessa então seu maior pecado: apesar de tudo o havia sofrido, deixou os filhos com os pais, esperando que nada lhes acontecesse, mesmo sabendo o que poderia acontecer-lhes.

Os pais de Edna revelaram-se, contudo, bons avós e se redimiram pelo amor aos netos. Edna acabou por perdoá-los – era a sua natureza não guardar rancores. Além disso, quando ela mais precisou, o pai foi à sua loja e fez todos os reparos necessários para que Edna pudesse mantê-la aberta e sobrevivesse.

Os filhos também ajudaram Edna a levar adiante os negócios. A personagem narra esses tenebrosos episódios de sua vida durante a cerimônia em que recebe do Prefeito da cidade uma placa em sua homenagem, por ter abrigado vinte crianças maltratadas e abandonadas.

Natasha Mashkevich interpreta Edna com um sorriso permanente nos lábios, passando por cima dos horrores sem ser marcada por eles, feliz por viver cada novo dia. Um momento mágico do monólogo agridoce, e que bem o resume, é quando ela dança para sufocar uma má lembrança, Rock And Roll Waltz (1954).

Nossa Senhora do Perpétuo Donuts. Foto de Thomas Nguyenvan.

Natasha Mashkevich em Nossa Senhora do Perpétuo Donuts. Foto de Thomas Nguyenvan.

Nossa Senhora do Perpétuo Donuts.

ARTISTAS BOICOTADORES DE ISRAEL – PARTE 2: A SEQUÊNCIA

4 set

 

Partners - 31a Bienal before

O obscuro artista libanês militante da causa palestina que divulgou via Facebook o manifesto dos 55 artistas boicotadores de Israel, que exigiam da 31ª Bienal de São Paulo, com orçamento total de R$24 milhões, a retirada do apoio de R$90 mil que Israel destinou à exposição de 3 artistas israelenses selecionados, cantou vitória anunciando, pela mesma via, que os 55 foram ouvidos.

Após “negociações coletivas”, a Fundação Bienal comprometeu-se a retirar o logo do Consulado de Israel como “patrocinador máster” do evento, mantendo-o apenas aos artistas israelenses apoiados. “Essa transparência será aplicada a todos os financiamentos nacionais para artistas na Bienal.”, afirmou o obscuro artista libanês.

Como essa segregação seria feita não foi explicado, mas parece que um papelote deve ser toscamente colado nos cartazes e catálogos já impressos, explicando que os apoios são específicos de cada artista/país. A grotesca solução proposta pela Fundação Bienal após as “negociações coletivas” (imagino cenas bizarras e de horror típicas de assembleias comunistas, nazistas e islamitas) satisfez os artistas boicotadores de Israel.

Segregando os três israelenses com o logo do Consulado de Israel simbolicamente convertido em “estrela amarela” pelo movimento BDS, imposta com a cumplicidade da Fundação Bienal, que “não tinha como devolver o dinheiro”, os 55 artistas boicotadores de Israel atingiram seu objetivo de confundir guerra com genocídio, autodefesa com massacre, terrorismo com resistência e arte com propaganda.

Baseados em crenças de inspiração nazista, os artistas do evento macabro que abre suas portas nesta sexta-feira em São Paulo conseguiram impor sua vontade totalitária à organização brasileira, sob o pretexto de que “o financiamento [de Israel] pode comprometer e minar a razão de existência de seus trabalhos”.

Entendemos melhor o caráter propagandístico da “arte” a ser exposta nessa Bienal islamizada ao sermos informados pelo artista libanês militante da causa palestina que “a luta por autodeterminação do povo palestino se reflete nos trabalhos de muitos artistas e participantes da Bienal, envolvidos com direitos humanos e lutas populares em escala global.”

Sabemos qual é o caráter desses “direitos humanos” e dessas “lutas populares em escala global”: ele nada tem a ver com a violação dos direitos humanos praticada na maioria dos países envolvidos com a causa palestina, mas sempre e apenas com as supostas violações cometidas por Israel.

Dois dos três artistas israelenses financiados por Israel assinaram o manifesto e participaram do Boicote BDS ao seu país. Nada como cuspir no prato em que se come! É uma atitude nobre e corajosa, que mostra o que vale a ética na sociedade global dominada pelo islamofascismo aliado às esquerdas totalitárias.

O manifesto de Facebook conclui-se com a seguinte frase de efeito: “A opressão de um é a opressão de todos.” Os 55 artistas que agora oprimem os 3 colegas israelis, que passam a ser vistos (com o colaboracionismo masoquista de 2 deles) como animais no zoo, não se sentem como opressores.

Henrique Sanchez, membro do Movimento Palestina para Tod@s (Mop@t), atuante no Brasil desde 2008, declarou que “a desvinculação do apoio de Israel à Bienal foi uma importante vitória” do movimento BDS, abrindo “precedentes para a construção de amplas ações, iniciativas e campanhas de boicote cultural no Brasil”.

O caso demonstra que ceder o mínimo que seja ao terrorismo infiltrado acarreta consequências devastadoras à democracia do país hospedeiro. Dois artistas palestinos ficaram indignados com o fato de o site do Consulado de Israel linkado na página da Bienal informar que as recentes operações militares do país em Gaza eram atos de autodefesa contra as hostilidades iniciadas pelo Hamas. Ou seja, eles se indignaram com a verdade! Querem impor a mentira palestina ao mundo inteiro, e até mesmo no site do Consulado de Israel.

Um desses paranoides afirmou que “jamais teria aceitado participar de uma mostra se soubesse que seria patrocinada por Israel”. Adepto do apartheid de Israel no mundo ele assim conclui sua arenga racista: “Eles querem nos usar por meio da arte para legitimar e purificar o genocídio que eles estão conduzindo agora na faixa de Gaza.” A visão que o Palestino Vitimado tem do mundo é um inferno, e ele não cessa de expandi-la aonde quer que esteja, até que o inferno que ele criou em sua mente tenha o tamanho da Terra.

Ataques terroristas são legítimos; defender-se deles, não: essa é a lógica terrorista dos terroristas. Os quatro árabes (dois palestinos, um egípcio e um libanês) interessados no BDS contra a Bienal paulista que os selecionou recusaram-se a abandonar simplesmente a mostra, alegando que o contrato assinado com a Fundação os obrigava a devolver o dinheiro da produção de seus trabalhos. Que chato, hein? A dignidade tem um preço, mas esses paladinos da Justiça não estão dispostos a pagá-lo.

O mais curioso é que o artista libanês que assumiu a liderança do protesto confessou temer ser punido em seu país ao retornar de uma Bienal apoiada por Israel: “Participar dessa mostra pode ter graves consequências legais para mim”, declarou à imprensa. Como é? O campeão dos direitos humanos “violados” por Israel teme voltar ao seu país e sofrer sanções e sabe-se lá mais o quê só por ter participado de uma mostra patrocinada por Israel?

O coitado do artista que vive sob tal regime de opressão deveria boicotar, antes de tudo, seu próprio país e a si próprio, excluindo-se de todo e qualquer evento em que seu trabalho, quando financiado por seu país, é assim manipulado para legitimar graves violações de seus direitos humanos.

DOCUMENTAÇÃO

Nota emitida pelo Consulado de Israel em 8 de setembro de 2014

O Estado de Israel e seu Ministério de Relações Exteriores cooperam de longa data com a Bienal de São Paulo, e obras israelenses foram exibidas em cada uma das Bienais realizadas.

Alguns meses atrás, curadores da Bienal se dirigiram ao nosso Ministério, solicitando a participação de Israel, como sempre tem sido feito – e paralelamente examinando as possibilidades de Israel contribuir financeiramente para a Bienal. Israel propôs certa quantia, os curadores solicitaram um aporte maior e Israel acedeu a este pedido também.

Alguns dias antes da inauguração da mostra, foi publicado manifesto de um grupo de artistas em repúdio ao patrocínio de Israel, manifesto esse apoiado por determinados curadores – parte dos quais haviam anteriormente procurado Israel para solicitar sua contribuição financeira.

Israel considera a atitude dos artistas signatários e o apoio destes curadores como uma iniciativa nefasta, contraproducente, nociva e moralmente condenável, que pretende prejudicar, boicotar e discriminar um Estado participante da Bienal. Esta iniciativa é negativa para a arte e a cultura, que os artistas da Bienal deveriam apreciar e proteger, pois arte e cultura são linguagens universais, que não conhecem limites e fronteiras.

Elas podem e devem aproximar povos e segmentos sociais e políticos. A atitude dos artistas e curadores causou prejuízo a estes mesmos princípios, ao prestígio da arte e da cultura em geral e ao da Bienal, em particular.

Política e cultura não devem se misturar e não se deve utilizar e se aproveitar da cultura para atingir fins políticos. A Bienal se realiza para expressar e dar espaço adequado e importante para a arte e a cultura – as lutas políticas se devem fazer nos foros políticos nacionais e internacionais adequados, que foram constituídos para esses fins.

A inaceitável tentativa – já frustrada –  dos artistas assinantes com o apoio dos curadores de “sequestrar” a Bienal para fins políticos é contra os princípios que devem reger os importantes eventos culturais internacionais.

O Consulado Geral de Israel em São Paulo agradece ao presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Dr. Luis Terepins, ao Conselho da Bienal e a todos aqueles que se esforçaram para chegar a uma solução viável para todos e permitiram a realização da Bienal, com a participação de todos os países e patrocinadores do evento, contribuindo assim para salvaguardar a mostra dos prejuízos que a atitude daqueles artistas e curadores poderia ter acarretado.

Posição do Presidente da Bienal

Luis Terepins, presidente da Bienal, declarou: “Somos uma instituição plural, não tomamos partido”, disse à Folha de S. Paulo. “Buscamos apoio de todos sem discriminação. Esse problema que existe entre Israel e palestinos fica lá. O grande exemplo que a temos de dar é o que buscamos construir.”

Como os curadores da Bienal apoiaram o manifesto – “o tema é maior que a 31ª Bienal” -, a solução “intermediária” encontrada foi definir que o patrocínio de Israel será apenas para os quatro artistas israelenses presentes na mostra.

Resposta de Leandro Spett Spett

O jovem artista Leandro Spett Spett repudiou o manifesto, que qualificou de uma iniciativa “patética, pífia e contraproducente. […] A arte está acima de rótulos, etiquetas e plataformas políticas. Ela jamais poderia ser sequestrada por quem se julga superior. Estes artistas fizeram da arte e do evento seus reféns, eles sequestraram a Bienal. […] É justo criticar qualquer país e sua política, mas por meio da arte e não nos bastidores”:

Crítica de Sheila Lerner

Num artigo para O Estado de S. Paulo, a crítica Sheila Leiner mostrou a contradição do artista libanês boicotador de Israel, que “trabalha com o dinheiro da Bienal (já que o Líbano não patrocina o evento), ao mesmo tempo em que questiona o patrocínio”. E também destacou a essência do movimento BDS, que gera “ódio, exerce coação, ameaça, influencia pessoas e tenta impor sua vontade pelo uso da apreensão”, concluído: “Esta é exatamente a forma de ação política que define o terrorismo”.

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FONTES

Boletim Informativo da Confederação Israelita do Brasil, 11/09/2014.

FRANCISCO NETO, José. Bienal de Arte de São Paulo não terá mais o apoio de Israel. Brasil de Fato, 01 de setembro de 2014. Disponível em: http://www.brasildefato.com.br/node/29688.

MARTÍ, Silas. Árabes ameaçam deixar Bienal por causa de patrocínio de Israel. Folha de S. Paulo, 28 de agosto de 2014. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/08/1506926-arabes-ameacam-deixar-bienal-por-causa-de-patrocinio-de-israel.shtml.

ARTISTAS BOICOTADORES DE ISRAEL

30 ago

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Politicamente, os 55 artistas que exigem da Fundação Bienal de São Paulo a retirada do apoio que Israel deu ao evento em sua 31ª edição, para a qual foram selecionados, estão mais atrasados que o Anão Diplomático, que já autorizou o retorno de seu embaixador a Tel-Aviv, após as tão “necessárias” consultas empreendidas durante o conflito provocado pelos terroristas do Hamas em Gaza.

Numa Carta Aberta à Fundação Bienal, eles escrevem que “ao aceitar esse financiamento [não especificado no texto], o nosso trabalho artístico exibido na exposição é prejudicado [sic] e, implicitamente, usado para legitimar agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos em curso em Israel [sic]”. Ou seja, o “dinheiro sujo” de Israel prejudica o trabalho e corrompe as boas intenções desses artistas puros…

Puros de alma como os “cristãos velhos de sangue limpo” e os “arianos de sangue puro”, eles recaem na noção mística primitiva aplicada aos judeus pela Inquisição e revivida pelo Nazismo, segundo a qual os judeus são os “contaminadores” do mundo.

Os artistas boicotadores de Israel seguem igualmente os métodos que os nazistas inauguraram em 1933 nos chamados Boicotes aos Judeus, com a diferença de que hoje essas práticas antipáticas da extrema-direita são redimensionadas para um movimento cool e pós-moderno: o Boicote ao Estado Judeu, também chamado de BDS (Boycotts, Divestment and Sanctions against Israel), articulado pelos militantes palestinos.

Como que dotados de um faro apurado de cães de caça, os artistas engajados no BDS detectaram que “a Fundação Bienal de São Paulo aceitou dinheiro do Estado de Israel” e apontaram seus dedos duros: “o logo do Consulado de Israel aparece no pavilhão da Bienal, em suas publicações e em seu website”. Oh!

Selecionados por uma Bienal que descobrem estar assim “contaminada pelo dinheiro de Israel”, os 55 artistas ingratos (incluindo eventuais judeus que desprezam seu povo) exigem agora, num ultimátum, que aquela Fundação “amiga de Israel” escolha: ou ela devolve o que recebeu de Israel, ou eles retiram suas obras da exposição. Como são importantes!

Tivessem coerência ideológica, e não quisessem de fato expor seus trabalhos dentro de uma Bienal “amiga de Israel” para “legitimar” com suas obras ditas artísticas “agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos”, de que culpam exclusivamente o Estado Judeu, como bode expiatório do mundo assim “purificado” por um ódio que se quer universal, eles é que simplesmente se retirariam do evento.

Poderiam então montar uma Bienal paralela de protesto, para a qual certamente encontrariam generoso financiamento das ditaduras do Oriente Médio que exterminam homossexuais, lapidam mulheres e usam crianças como carne de canhão. Esse apoio não prejudicaria em nada seus trabalhos sensíveis apenas ao contato com o “maldito” Estado de Israel.

Mas isso logo não lhes bastaria, pois o que esses artistas querem mesmo é perseguir Israel: “Rejeitamos a tentativa de Israel de se normalizar dentro do contexto de um grande evento cultural internacional no Brasil”, afirmam delirantes, querendo que o mundo pregue no peito do Estado Judeu uma enorme estrela amarela.

Com empáfia, os artistas boicotadores de Israel demonstram odiar esse Estado acima de todos os outros, sobre os quais não veem pesar quaisquer “agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos”, incluindo o Brasil entre os Estados campeões da Justiça da chamada “comunidade internacional”.

Não convém lembrar os 50 mil assassinatos anuais que ocorrem no país-sede da Bienal, recriminado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelo desrespeito aos indígenas em Belo Monte e pela ONU por toda a barbárie reinante em seus presídios superlotados, verdadeiras masmorras medievais, segundo o próprio Ministro da Justiça do atual governo, que nada faz para mudar a situação.

Os artistas alérgicos ao “dinheiro do Estado Judeu” não são afetados com os prêmios, apoios, bolsas e pagamentos que  recebem de seus e de outros Estados violadores dos Direitos Humanos. Só um Estado os incomoda no mundo. “Israel é a nossa infelicidade”, pensam com amargura os 55 paladinos da ética ao se juntar, para aliviar seus corações, ao que há de mais retrógrado e de podre no mundo atual.

FONTE DAS FRASES CITADAS

FILHO. Celso. Em carta aberta, artistas repudiam apoio de Israel à Bienal de São Paulo. O Estado de S. Paulo, 29 Agosto 2014. Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,em-carta-aberta-artistas-repudiam-apoio-de-israel-a-bienal-de-sao-paulo,1551594.

DEDICAÇÃO EXCLUSIVA: UM REGIME DE SERVIDÃO?

20 maio
Família brasileira, por Jean Baptiste Debret.

Família brasileira, por Jean Baptiste Debret.

A nova legislação da carreira docente tem provocado, por suas sucessivas alterações, desentendimento nas universidades. No quesito “tabu” da retribuição pecuniária do docente em regime de dedicação exclusiva (DE) por ente distinto da Instituição Federal de Ensino (IFE), a Lei nº 12.772, de 28/12/2012 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12772.htm) permitia, no artigo VIII, “a retribuição pecuniária, na forma de pró-labore ou cachê pago diretamente ao docente por ente distinto da IFE, pela participação esporádica em assuntos de especialidade do docente, palestras, conferências, atividades artísticas e culturais devidamente autorizadas pela instituição de acordo com suas regras”. O artigo não limitava em horas essa participação esporádica.

Na Mensagem nº 413, de 24/09/2013, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão vetou esse artigo por ele não impor um limite de horas a essas atividades remuneradas esporádicas, alegando que “a ausência desta limitação não condiz com a natureza do regime destes docentes que, justamente por conta de sua dedicação exclusiva, percebem remuneração mais vantajosa do que a de outros regimes de dedicação.” (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/Msg/VEP-413.htm).

Só que a nova redação do artigo VIII na Lei nº 12.863, de 24/09/2013, publicada no DOU de 25/09/2013, não se limitou a impor uma limitação de horas às atividades remuneradas dos docentes DE fora de suas IFES (de 30 a 120 vinte horas anuais), mas também redefiniu as atividades permitidas antes definidas como “palestras, conferências, atividades artísticas e culturais” como “colaboração esporádica de natureza científica ou tecnológica em assuntos de especialidade do docente, inclusive em polos de inovação tecnológica”. (http://www.revistajuridica.com.br/norma_integra.asp?id=16237).

A nova redação da Lei, alterando o tipo de trabalho esporádico remunerado permitido aos professores em regime DE deu margem a todo tipo de ilação. De fato, a nova redação desse quesito da Lei é um retrocesso. Parece haver uma tentativa de inibir as atividades extramuros dos professores das áreas de Humanas, Letras e Artes, como se o regime de dedicação exclusiva desses servidores fosse mesmo um regime de servidão, e a cultura pessoal, adquirida a elevados custos pelos docentes, devesse ser dada de graça à comunidade, ao contrário de outros serviços, de outras categorias profissionais.

Padeiros, encanadores ou taxistas teriam mais direitos que os docentes das IFEs, que ficam proibidos de “enricar”, ou seja, de ganhar uns trocados fora de seu salário fixo – fixo por anos a fio, independentemente da inflação que o devora, levando essa categoria a um endividamento que rende juros e mais juros a bancos públicos e privados? (Outras categorias se endividam, mas não estão proibidas de “enricar”).

E os professores das áreas de ciência e tecnologia teriam mais direitos que os professores das áreas de humanas, letras e artes – estes impedidos de cobrar por seus serviços, o que fere o princípio da isonomia universitária e inviabiliza as atividades artísticas e culturais (que não têm “natureza científica ou tecnológica”) dos docentes nos eventos programados por instituições que solicitam seus talentos e expertises?

Perguntas que não querem calar…

MENSEN ERNST

9 abr

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Resumo de um artigo de Bredo Bernstein, bibliotecário e autor da biografia Mensen Ernst, Koperkongen (Mensen Ernst, o rei da caminhada). Creio que o artigo, em que o autor sintetizava seu livro, foi publicado em 1982, na revista da UNESCO, mas infelizmente perdi a referência. Nos meus arquivos, encontrei apenas este resumo que fiz. (Luiz Nazario)

Em 1819, o andarilho norueguês Mensen Ernst fez, em nove horas, o percurso de 116 km de Londres a Portsmouth e, em 32 horas, os 240 km que separam Londres de Liverpool.

Através de suas andanças, Mensen Ernst tornou-se um cidadão do mundo, estudou as culturas estrangeiras, aprendeu o inglês, o francês, o alemão, noções de italiano e de turco.

Em 1832, aos 37 anos, correu de Paris a Kaiserlautern em dois dias. Declarou mais tarde: “Sentia como se minhas veias estivessem prestes a arrebentar. As pessoas que me viam passar tomavam-me por excêntrico, louco ou possuído pelo demônio”.

Sempre correndo, Ernst chegou a Moscou após 14 dias de sua partida, ganhando uma aposta de 3.800 francos. Devido ao estado precário de suas roupas, foi confundido com um mendigo.

Havia percorrido cerca de 2.500 km, ou seja, mais de 170 km diários. Alimentava-se, basicamente, de pão, queijo, verduras, e raramente de alguma carne fria. Dormia no chão, ao ar livre, ou sobre um estrado duro. Sua única fraqueza era o vinho, que bebia direto da garrafa, mesmo quando corria.

Ao voltar a Paris, Mensen Ernst já se tornara uma lenda viva, atraindo milhares de entusiastas. Em 1833, partiu de Munique em direção a Náuplia, então capital do recém-criado estado grego, levando documentos de Ludwig I da Baviera e da rainha Teresa a seu filho Otto I, rei da Grécia.

Em Montenegro, Mensen foi atacado por cinco bandidos, que por sorte não deram importância às cartas. Em Cataro, foi preso como espião, mas depois de três dias, o paxá de Janaina o libertou. Depois de 24 dias de viagem, tendo percorrido 2.700 km, ou 135 km por dia, ganhou a recompensa prometida de 1.000 guineis.

Em 1836, Mensen cobrou 150 libras para levar importantes documentos de Constantinopla a Calcutá em quatro semanas. Entre a ida e a volta, percorreu cerca de 8.300 km em 59 dias, ou seja, 150 km diários, com descanso de três dias em Calcutá.

Sua quarta jornada épica foi também a última. O conde Hermann von Pückler-Muskau propôs a Mensen Ernst descobrir a foz do rio Nilo. Partindo das terras do conde na Silésia prussiana no dia 11 de maio de 1842, ele se dirigiu a Constantinopla, depois Jerusalém, aonde chegou ao cabo de 30 dias, e percorreu, por fim, os 500 km até o Cairo.

Depois de passar alguns meses na capital egípcia, Mensen Ernst seguiu para o sul ao longo do Nilo. Mas, minado por uma disenteria, morreu em pleno deserto em 22 de janeiro de 1843, perto de Syene, hoje Assua.

A CONFUSÃO ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO

17 mar
a - Cópia

Imagem da página ‘Pinto Crítica’. Detalhe de uma das fotos enviadas e publicadas.

Parece que a Universidade brasileira está entrando num processo de franca decadência. O caso dos trotes racistas e nazistas na UFMG soou um alerta vermelho. Não sei se houve uma resposta à altura do caso. Sei que o nível cultural dos novos estudantes é cada vez mais baixo, pois é algo que constatamos diariamente em nossas aulas. Hoje, visitando o grupo UFMG no Facebook, me surpreendi com uma fanpage intitulada “Pinto Crítica”, no endereço: https://www.facebook.com/pintocriticaufmg.

A página se dedica a receber e analisar as fotos que recebe dos pintos dos estudantes da UFMG. As fotos dos membros sexuais eretos dos jovens alunos são enviados pelos mesmos, in-box ou por e-mail, com a garantia da preservação do anonimato. Para não correr o risco de ser tirada do ar, a página assim se estrutura:

“As fotos serão postadas somente em links que direcionará [sic] vocês para a imagem. Será feito desta forma para evita [sic] que o facebook [sic] nos bloqueei [sic] como conteúdo ofensivo ou spam. Receberemos as fotos e analisaremos, e assim, divulgaremos a foto com uma analise [sic] geral. Como enviar sua foto: Vocês podem enviar suas fotos através do inbox do facebook, ou pelo e-mail: glamourufmg@yahoo.com. Quem pode participar: – Meninas e meninos estudantes da UFMG. Tudo será feito sigilosamente sem a divulgação de nomes. Pedimos que deixem a idade e o curso também. Deixamos claro também que só será divulgado [sic] o nome do curso e a idade [se] o dono da foto permitir. Esperamos a colaboração de todos!”.

O “Pinto Crítica” já recebeu e publicou diversas fotos de pênis eretos de supostos estudantes da UFMG, com o logo da UFMG ao qual acrescentou a palavra Glamour, acompanhadas com as respectivas “análises gerais” sobre a forma do membro e dos pelos, a qualidade da foto etc. A administradora anônima da página também incita seus seguidores a revelar fofocas, casos e escândalos sexuais envolvendo os acadêmicos da UFMG: “Vocês sabiam que aceitamos baphos [sic] também? Envia-nos os melhores baphos sexuais da UFMG.”

“Pinto Crítica” divulga, finalmente, outras iniciativas “culturais” dos estudantes da UFMG, como o grupo fechado “UFMG – sexo casual”, cuja missão é ser um “Lugar para facilitar contatos, entre pessoas que frequentam a UFMG, e procurem algo mais… O grupo deve crescer conforme as pessoas ficarem com menos preconceito em participar.”: https://www.facebook.com/groups/699345466777942/.

Preconceito é a palavra mágica brandida contra qualquer reação à sabotagem das instituições. Não, nada tenho contra sexo e pornografia entre estudantes, muito pelo contrário. Não vejo nenhum problema em estudantes exibirem seus sexos para quem eles quiserem, entre quatro paredes, ou, se preferirem, em sites pornográficos, ou em praticarem sexo, casual ou não: isso é da conta deles apenas. Mas associar o logotipo e o nome da UFMG a atividades de bordel é confundir o público com o privado, perder a noção da ética no meio acadêmico e macular a instituição com objetivos escusos.

MINHAS 33 PEÇAS DE TEATRO FAVORITAS

10 jan

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  1. A destruição de Numância, de Miguel de Cervantes (1547-1616).
  2. Macbeth, de William Shakespeare (1564-1616).
  3. Hamlet, de William Shakespeare (1564-1616).
  4. Romeu e Julieta, de William Shakespeare (1564-1616).
  5. Otelo, de William Shakespeare (1564-1616).
  6. As preciosas ridículas, de Molière (1622 -1673).
  7. Guilherme Tell, de Friedrich Schiller (1759-1805).
  8. Frei Luís de Sousa, de Almeida Garret (1799-1854).
  9. A morte de Danton, de Georg Büchner (1813-1837).
  10. A mais forte, de August Strindberg (1849-1912).
  11. Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello (1867-1936).
  12. Vestir os nus, de Luigi Pirandello (1867-1936).
  13. Gás, de Georg Kaiser (1878-1945).
  14. R.U.R, de Karel Čapek (1890 -1938).
  15. Terror e miséria no Terceiro Reich, de Bertolt Brecht (1898-1956).
  16. Galileu Galilei, de Bertolt Brecht (1898-1956).
  17. A voz humana, de Jean Cocteau (1889-1963).
  18. Entre quatro paredes, de Jean-Paul Sartre (1905-1980).
  19. As mãos sujas, de Jean-Paul Sartre (1905-1980).
  20. Noite de 16 de janeiro, de Ayn Rand (1905-1982).
  21. Ideal, de Ayn Rand (1905-1982).
  22. Pense duas vezes, de Ayn Rand (1905-1982).
  23. Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989).
  24. As bocas inúteis, de Simone de Beauvoir (1908-1986).
  25. A cantora careca, de Eugène Ionesco (1909-1994).
  26. Rinocerontes, de Eugène Ionesco (1909-1994).
  27. As criadas, de Jean Genet (1910-1986).
  28. De repente, no último verão, de Tennessee Williams (1911-1983).
  29. À margem da vida, de Tennessee Williams (1911-1983).
  30. Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980).
  31. O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues (1912-1980).
  32. Os físicos, de Friedrich Dürrenmatt (1921-1990).
  33. A torre de Babel, de Fernando Arrabal (1932-).