A FASHIONJUNGE BDS

3 mar

Boycott Israel

No jornal Brasil de Fato – Uma visão popular do Brasil e do mundo, de 28 de fevereiro de 2013, uma nota anuncia que “o boicote a Israel e o apoio à luta da Palestina ganha novo fôlego internacional no mês de março”, quando “ativistas organizam evento que reforça apoio internacional à Palestina”. Com a charge neo-antissemita de Carlos Latuff, “Comprar produtos de Israel é financiar apartheid”, que equipara produtos israelenses a um monte de crânios, o que iguala por sua vez o suposto apartheid a um massacre, a matéria assinada pela Redação do jornal prossegue:

Em todo mundo será realizada a Semana contra o apartheid de Israel (Israeli Apartheid Week – IAW). O evento acontece em várias cidades do mundo há nove anos e, segundo o site oficial, busca aumentar a consciência das pessoas sobre as políticas de apartheid em Israel contra os palestinos e construir apoios para a campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel (BDS). No Brasil, a Frente da Palestina da Universidade de São Paulo (USP) planeja atividades entre os dias 11 e 15 de março, como mesas de debates, exibições de filmes, palestras e oficinas culturais. Na Europa, as ações da IAW estão ocorrendo desde 25 de fevereiro. [...] [1]

O movimento BDS, lançado em 2005, chegou ao Brasil em 2011, apoiado por organizações islâmicas e de esquerda: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular/Coordenação Nacional de Lutas), CUT (Central Única dos Trabalhadores), Marcha Mundial de Mulheres, Movimento Mulheres em Luta, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), PCB (Partido Comunista Brasileiro), Revolutas, Mopat (Movimento Palestina para Tod@s), UNI (União Nacional das Entidades Islâmicas), Assisp (Associação Islâmica de São Paulo), Liga da Juventude Islâmica do Brasil, Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre). [2].

O BDS alerta: “Antes de comprar, verifique o código de barras. Se iniciar com 729, é produto fabricado em Israel. Comprá-lo é financiar a humilhação e opressão ao povo palestino. Boicote!”. Os militantes vigiam universidades e instituições e assim que identificam algum acordo com Israel tentam obrigá-las a romper os intercâmbios e convênios. Enviam cartas abertas para impor censura a instituições. Pressionam artistas que programam turnês em Israel.

Em 2011, os BDS da USP quiserem impedir que a PUC realizasse o seminário internacional “Sistema jurídico de Israel: Direito judaico antigo e Direito israelense moderno”, nos dias 24 e 25 de outubro. Em 2012, escreveram a Daniela Mercury “assim que souberam” que ela pretendia fazer um show em Israel para que o cancelasse, seguindo o exemplo de Roger Waters, Elvis Costello, Gil Scott Heron, Carlos Santana, Devendra Banhart e os Pixies.

Em 2012, 210 cidades participaram da Semana contra o apartheid. Os ativistas dessa causa errada voltam-se, com toda sua energia, contra um apartheid inexistente. Israel é uma democracia que abriga todas as etnias, religiões e sexualidades. Os jovens que seguem o BDS são teleguiados por grupos terroristas disfarçados de minorias oprimidas, apoiados por regimes islamofascistas que oprimem minorias étnicas, religiosas e sexuais e jamais são boicotados.

Agindo contra o falso apartheid, os militantes BDS desviam a atenção dos países que praticam de fato o terror e o apartheid e que tentam levar o Ocidente a adotar sua própria agenda política islamofascista de práticas de apartheid por imposição da censura, repressão e clima de terror, com boicotes, desinvestimentos e sanções contra Israel, apartando o Estado Judeu do resto do mundo. Na estratégia de apartheid do BDS, o isolamento do Estado Judeu seria a primeira etapa para sua eliminação.

Os jovens que se engajam na causa fascista do BDS, que atinge em primeiro lugar os democratas de cada país, envolvendo suas instituições, universidades, empresários e artistas num clima de terror, reedita os boicotes aos judeus pelos nazistas na Alemanha de 1933, e são alimentados pela propaganda diária das mídias anarquistas, revolucionárias, jihadistas, neo-stalinistas e neonazistas. No mundo globalizado, a extrema-direita e a extrema-esquerda unem-se no mesmo ódio primitivo ao Judeu, agora sublimado em ódio político ao Estado Judeu.

Esses jovens que deixaram a religião pelo ativismo, identificando-se com os fanáticos do Islã, são, no seu dia-a-dia, pessoas “bacanas” e “descoladas”, que sabem se divertir. Vivem com o celular na mão e postam no Facebook fotinhos de suas noitadas em bares e boates, de seus mergulhos nas cachoeiras com os amigos, de seus fins-de-semana nas praias com as namoradas ou os namorados. Vestem-se na última moda. Curtem os filmes cult. Adoram informática, tecnologia, games e rock.

Eles transam com uma sexualidade desimpedida, sem preconceitos. Odeiam a Igreja católica, com seus padres “pedófilos” e seus Papas “perdulários e corruptos”. Preferem espiritismos e espiritualismos orientais. Não suportam judeus sionistas, que associam a Imperialismo. Eles formam uma nova Juventude Hitlerista planetária, sem os recalques da velha guarda nazista reprimida, retrógrada e cafona. Mas a Fashionjunge BDS está pronta para agir contra os “inimigos” com a mesma sanha da velha Hitlerjunge.

NOTAS

[1] 
http://www.brasildefato.com.br/node/12130
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[2] 
http://campanhaboicoteisrael.blogspot.com.br/2011/10/lancada-em-sao-paulo-campanha-nacional.html
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CARTILHAS TENDENCIOSAS

5 fev
Monumento a Yasser Arafat na Paraíba do Sul. Foto: Diadorim Ideias/Isabela Kassow.

Monumento a Yasser Arafat na Paraíba do Sul. Foto: Diadorim Ideias/Isabela Kassow.

Socialistas que chegam ao poder não perdem uma oportunidade de incutir nas novas gerações o “culto da personalidade” (conceito comunista equivalente ao conceito nazista de Führerprinzip), modelando a juventude no imaginário da “Nova História”. Exaltando os “grandes líderes populares”, essa História “crítica” está livre do estigma lançado contra  os historiadores que, não rezando pela cartilha marxista, fazem uma desprezível “História factual”, uma ignara “História oficial”, uma superada “História dos grandes homens”.

Em 2005, foi lançada a série Cartilhas Contemporâneas, projeto das secretarias de Educação e de Comunicação do governo do Rio de Janeiro, para “estimular a discussão sobre temas atuais” na rede estadual. A primeira cartilha foi sobre o jornalista Vladimir Herzog, militante do Partido Comunista Brasileiro morto nos porões da ditadura militar. Já era possível então imaginar que a discussão seria marcada pelo destaque de apenas um lado da questão.

A tendência política das Cartilhas Contemporâneas ficou ainda mais clara com o segundo título da série, com tiragem de 150 mil exemplares, sobre o terrorista egípcio, nascido no Cairo, Yasser Arafat, com texto do veterano jornalista Milton Coelho da Graça, ligado ao PCB, segundo alguns relatos barbaramente torturado durante a ditadura militar, e que entrevistou o líder palestino em 1969. Ele teria sido contratado para escrever todas as cartilhas da série.

Na avaliação do secretário de Comunicação, Ricardo de Oliveira Bruno, “havia uma defasagem entre o conteúdo tradicional ensinado nas escolas e os fatos do dia-a-dia para os quais o jornalismo pode colaborar. [...] Trouxemos para esse projeto o grande jornalista brasileiro que é Milton Coelho da Graça. De modo que esse trabalho tem um aspecto que o diferencia, o compromisso de se fazer entender de maneira fácil, o que só um jornalista é capaz de fazer”.

O secretário de Educação, Claudio Mendonça, explicou que “o objetivo das cartilhas é estimular a discussão sobre temas da nossa [sic] história contemporânea, em sala de aula, para garantir que fatos importantes sejam entendidos e permaneçam presentes na memória dos estudantes. Professores de história e geografia orientarão os estudantes em pesquisas, debates e na preparação de textos e cartazes sobre o conflito no Oriente Médio.”.

Segundo a reportagem, os alunos ficariam sabendo que Arafat foi “um dos maiores líderes do Estado Palestino, escapou de mais de 50 atentados e muitas conspirações ao longo de sua trajetória. Morto em 2004, lutou por mais de 40 anos pela criação do Estado Palestino e ganhou, em 1994, o Prêmio Nobel da Paz, depois de protagonizar um histórico aperto de mãos com o primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin, que selou o primeiro acordo para a autonomia palestina.”

Bem, se o objetivo era fazer os alunos do ensino médio entender o conflito no Oriente Médio, o projeto deveria lançar, simultaneamente, uma cartilha David Ben-Gurion, ou uma cartilha Golda Meir. E, se quisesse ficar apenas na atualidade, uma cartilha Ariel Sharon. E, claro, uma cartilha George Bush. Mas não creio que o projeto incluísse cartilhas sobre líderes populares do outro lado do conflito no Oriente Médio. Isso complicaria um pouco o fácil entendimento das questões abordadas.

O Brasil é uma página em branco que aceita tudo, até uma horrenda propaganda monumental erigida na Paraíba do Sul, em homenagem a Arafat, prova do amor que os brasileiros dedicam ao fundador da terrorista Fatah, corrupto consumado que presidiu de 1969 até sua morte (por AIDS) a Organização pela Libertação da Palestina, drenando recursos do povo palestino para sua conta particular e que, junto com seu Prêmio Nobel da Paz, carregou para o túmulo uma boa tonelada de sangue inocente.

Ambicioso, o projeto das Cartilhas Contemporâneas previa a publicação de uma nova cartilha a cada dois meses (!) e a premiação de trabalhos de alunos sobre os temas nelas abordados: “Ficamos muito sensibilizados quando os trabalhos começaram a chegar. Isso estreitou ainda mais o relacionamento entre os parceiros do projeto”, declarou a subsecretária de Planejamento Pedagógico, Alba Cruz.

Os primeiros alunos premiados ganharam aparelhos de CD e os professores orientadores somaram pontos para concorrer mais adiante a um computador. A terceira cartilha seria sobre o líder sul-africano Nelson Mandela - outro “pastor de povos” que militava no Partido Comunista. Mas as Cartilhas Contemporâneas desapareceram das mídias. Talvez o projeto, exaustivo, tenha perdido o fôlego, talvez tenha, sim, continuado, mas no modo silencioso…

PROVA DE VIDA

3 fev

Ingrid_Betancourt

Um pequeno e poderoso livro: Cartas à mãe: direto do inferno, de Ingrid Betancourt. Nunca odiei tanto as FARC quanto ao ler essas páginas escritas com tanto amor. Embora as vítimas dos sequestros das FARC fossem, por razões óbvias, contrárias à política de Uribe, de não negociar com terroristas, o presidente colombiano não podia transigir.

Cabia ao playboy Sarkozy, ao bolivariano Chavez e ao hiperbólico Lula todo o empenho em libertar essa mulher extraordinária e os demais  sequestrados pelo grupo armado da esquerda traficante de drogas. A França exportadora de ONGs esquerdistas e os tiranetes populistas latino-americanos tinham culpas de sobra nos crimes das FARC.

Quanto a Uribe, seu papel histórico era mesmo o de esmagar, com o apoio dos EUA, essas imundas FARC – a esquerda armada latino-americana em seu momento de maior podridão moral. Num posfácio, Francisco Carlos Teixeira da Silva, historiador da UFRJ, ainda demonstra discreta simpatia pela organização criminosa:

A exigência básica das FARC – para negociar a devolução de Ingrid à vida – mantém-se a mesma desde… 2002: a desmilitarização de duas províncias e a libertação de um grande número de guerrilheiros (alguns falam em 500 homens)… Em 2004, as FARC propõem a desmilitarização [de duas regiões] para negociar uma troca de reféns por guerrilheiros presos [...] O presidente Uribe rejeita a proposta [...]. Como contraproposta, a guerrilha passa a exigir a retirada das forças militares [de duas outras regiões] para negociar um ‘intercâmbio humanitário’… Em 2007, as FARC avançam em sua proposta: a desmilitarização e a troca de reféns por 500 guerrilheiros presos pelo governo… [Em 2008] as FARC propõem a continuidade dos entendimentos, com a desmilitarização [de duas regiões] que deverão tornar-se, nas palavras das FARC, “o palco [...] que tornará possível a libertação de todos os prisioneiros em poder das forças adversárias”. (p. 73-74).

Para o acadêmico, que não escreve na selva, mas no conforto do lar, as FARC davam “continuidade a entendimentos” e “avançavam em sua proposta” que, paradoxalmente, era sempre “a mesma desde 2002”! Já Uribe era descrito como “preso à sua estratégia de derrotar militarmente as FARC” e “inflexível, recusando qualquer princípio de acordo.”

Tudo isso lembra o conflito entre o Estado de Israel e os palestinos, e não por acaso o livro conta com um emocionado prefácio do escritor e sobrevivente do Holocausto, Elie Wiesel. O livro termina com uma desesperada carta de Ingrid à mãe, que diariamente lhe enviava mensagens pelo rádio, e que, então, poderia ser sua última prova de vida.

Do fundo da selva, vivendo há cinco anos como um bicho, acorrentada, seviciada, dormindo em buracos, tendo apenas uma Bíblia para ler (os guerrilheiros haviam negado seu pedido de um dicionário - ela desejava continuar aprendendo), a senadora insistia para que a filha, então mestranda em cinema, não parasse de estudar e fizesse o Doutorado.

POLITICAMENTE CORRETO

3 fev

capa_politicamente_correto

A propósito da cartilha Politicamente Correto: ao contrário de João Ubaldo Ribeiro[1] não sou contra o politicamente correto: temo apenas o uso tendencioso desse conceito. Nenhuma das matérias que li sobre a cartilha, que é mais um pequeno dicionário de termos que se deve evitar usar em sociedade, mencionava o verbo “judiar”, que tanto agride os judeus, e é usado com a maior naturalidade pelos brasileiros (o termo foi incluído na cartilha).

Ribeiro tem razão em temer o controle do pensamento pelo controle da língua. Por outro lado, o brasileiro precisa ser mais educado nas suas relações com o Outro e tentar controlar, sim, sua língua, quando ela expressa seu racismo, seu antissemitismo, seu machismo, sua homofobia – sobretudo essas duas últimas paixões assassinas têm atingido níveis assustadores enquanto aparentemente diminui o racismo contra os negros, graças às cotas, às inclusões sociais, etc.

A mulher é vilipendiada na subcultura de massa (funk, rap, etc.) sem que ninguém nada faça a respeito pelo terror da pecha de racismo contra “legítimas manifestações culturais da raça negra”! É comum ouvir professores fazendo piadinhas gratuitas em salas de aula sobre “veados”, agredindo, com seu “bom humor”, alunos homossexuais que não protestam por medo de sofrerem represálias e perseguições. Em universidades privadas, alguns alunos manifestam abertamente sua admiração pela figura de Adolf Hitler.

Na PUC-MG, professores, muitos deles juízes, contestaram, em 2005, a decisão do STF, que considerou, ao julgar o revisionista S. E Castan, o antissemitismo como uma forma de racismo e, portanto, crime inafiançável, alegando não se poder proibir a livre expressão do ódio, reivindicando “o direito de odiar”. É claro: o direito de odiar judeus…

É medonho para qualquer minoria ouvir dezenas de milhões de brasileiros expressando diariamente, abertamente, impunemente, seu ódio primitivo ao “outro”, seu desprezo selvagem pelos diferentes, seu orgulho arrogante de ser “como todo mundo”. Uma cartilha é necessária, desde que seja mesmo politicamente correta e não politicamente orientada.


[1] João Ubaldo Ribeiro. Governo lança manual Politicamente Correto, jornal Folha de S. Paulo, 1º de mai. 2005.

OS 300 DESINFORMADOS

21 jan

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Um abaixo assinado com 300 nomes de jornalistas, intelectuais e ativistas dos Direitos Humanos defendendo o cartunista Carlos Latuff, “acusado de antissemitismo” pelo Simon Wiesentahl Center, foi entregue à Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. Mas porque esse manifesto, que deveria ser destinado ao Simon Wiesentahl Center, com sede em Nova York, foi entregue à Federação Israelita, com sede no Rio de Janeiro?

Na cabeça de Latuff e de seus defensores, talvez Simon Wiesentahl Center e Federação Israelita do Rio de Janeiro sejam uma mesma e única coisa, uma coisa de judeus, de judeus que são todos iguais, seja em Nova York, seja no Rio de Janeiro, seja de direita seja de esquerda, seja “amigo de Latuff” ou não. Pobre Silvio Tendler: na cabeça daquele a quem chama de “amigo”, ele não passa de um judeu.

Assim Latuff defendeu-se da acusação: “Eu estou na frente de um grupo da extrema-direita grega por ter feito charges criticando a postura do Estado de Israel. A expressão antissemita se refere a ódio aos judeus, ódio racial ou ódio religioso, nem uma coisa nem outra tem a ver com meu trabalho.”

A definição atual de antissemitismo não é tão simples quanto Latuff imagina ou pretende fazer acreditar que ele a assim imagina. Alguns ativistas árabes, por exemplo, alegam que a expressão “antissemitismo” refere-se ao ódio dirigido aos semitas; sendo os árabes tão semitas quanto os judeus, eles não poderiam ser acusados se antissemitismo em seus ataques aos judeus…

Por outro lado, a expressão “antissemitismo” referia-se, tradicionalmente, ao ódio aos judeus, à sua etnia, religião e cultura, quando os judeus não possuíam um Estado. A partir do momento em que os judeus passaram a possuir o Estado de Israel, o ódio aos judeus ganhou uma nova dimensão.

Essa dimensão confunde-se e mescla-se com o que passou a ser chamado de “antissionismo”. Por isso o “Top Ten” do Simon Wiesentahl Center no qual Latuff foi incluído em terceiro posto não se refere apenas a “antissemitismo”, como alega o cartunista. É o “Top Ten dos Antissemitas/Antissionistas”. E Latuff é declaradamente antissionista.

Na atualidade, os antissemitas preferem odiar o Estado de Israel e não mais os judeus, pois esse Estado agora representa a coletividade judaica de uma forma abstrata, fazendo com que o velho ódio primitivo, de tipo nazista, com seu conceito caduco de “raça”, ganhe feições “civilizadas” e “politicamente corretas”.

Professar o antissemitismo não é mais tão cool como o foi nos anos que precederam o nazismo, com suas  cruéis perseguições aos judeus. Depois do Holocausto, ser antissemita é algo de peçonhento e rançoso. Mas os antissemitas encontraram uma tábua de salvação: não precisam mais odiar os judeus diretamente, atacando sua “raça”, sua cultura e religião. Podem simplesmente odiar Israel. Isso hoje é cool e politicamente correto.

O novo antissemitismo sublimado pode ser assim adotado pelas esquerdas, pelos intelectuais, pelos jornalistas, pelos ativistas dos Direitos Humanos, pelos caricaturistas engajados e por toda subcultura, pois vem com um lindo verniz de libertarismo, anarquismo, pacifismo e humanitarismo. O novo antissemita nada tem contra os judeus, ele só critica Israel. Criticar Israel é legítimo, e pode ser uma prática sistemática, generalizada e, claro, sem limites.

É notável, enfim, que Latuff se defenda de ser antissemita alegando estar à frente de “um grupo da extrema direita grega”, sendo público e notório que seu compromisso político é oposto aos ideais desse grupo. Por que suas charges, que defendem posições de extrema-esquerda, são amadas pela extrema-direita? O que a extrema-direita e a extrema-esquerda têm em comum, além de seu extremismo? A resposta é simples: o ódio aos judeus, seja em sua velha forma antissemita, seja em sua nova forma antissionista.

MÍDIA E MANIQUEÍSMO

12 jan

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[Diários28 de abril de 2005]

Uma jornalista fez-me uma pergunta aparentemente simples: os leitores de jornal prefeririam notícias nas quais os papéis dos bons e maus estariam predeterminados? Uma visão maniqueísta da História estaria a transformar as reportagens em conto de fadas, com seus vilões e mocinhos? E quem seriam os vilões e os mocinhos? Abaixo, minha resposta (revista para este post).

A mídia impressa atual sofre de uma proletarização mental. Ela quer agradar às classes C e D, ainda que seja lida apenas pelas classes A e B que, a princípio, têm interesses culturais diversos daquelas, às quais os editores querem agradar.

Ocorre pouco a pouco um nivelamento mental por baixo de todas as classes, com a fuga das inteligências resistentes (das classes A e B) das mídias impressas para as mídias eletrônicas (território cada vez mais dominado pelas classes C e D), fazendo com que jornais e revistas caminhem para a extinção.

Aqueles que ainda compram jornais e revistas o fazem apenas por um hábito atávico, pois na realidade não encontram mais interesse nas matérias que os jornalistas se esforçam em obter: as pautas imaginadas pelos editores só agradariam aqueles leitores que não têm o poder aquisitivo e, consequentemente, o hábito, de assinar jornais e revistas.

Nesse contexto, o maniqueísmo tem um lugar privilegiado na mídia impressa que persiste. A maioria dos jornalistas considera-se “de esquerda” sem ter nunca lido O capital de Marx nem acompanhado os debates filosóficos entre marxismo, cristianismo e existencialismo ao longo do século XX.

Após a leitura de um que outro manual de divulgação marxista, o esquerdista já acredita dominar “as leis da História”, passando a desprezar os fatos concretos e a ignorar a complexidade dos fenômenos, para imaginar “processos” catalogados. Esse Zé Mané preguiçoso culpa então os “imperialistas” e os “sionistas” pelos males do mundo.

No Brasil, tenham as mídias uma linha editorial de esquerda ou de direita, as análises objetivas de todos os conflitos nacionais e internacionais tendem a ser substituídas pelos contos de fadas esquerdistas, pois o público visado é sempre o das classes C e D (incluindo o público A e B já tornado mentalmente C e D).

E sendo os jornalistas quase sempre esquerdistas dissimulados (nas mídias de direita) ou assumidos (nas mídias de esquerda), os contos de fadas esquerdistas o são mesmo nas mídias direitistas, com mocinhos sempre pobres e terceiro mundistas e vilões sempre ricos e imperialistas.

O sistema político-econômico é uno e sem oposição, desde que a esquerda e a direita se fundiram num conglomerado indistinto. Mas esse conglomerado ainda preserva, para efeito de diversão e consumo das bases políticas e militantes, suas máscaras de mútua oposição intactas.

A ARTE DA DIFAMAÇÃO

8 jan
Carlos Latuff - Latuff SVC.

Carlos Latuff: orgulhoso do terceiro lugar no Top Ten dos difamadores de Israel.

Na sessão de Carta dos Leitores do jornal eletrônico Rua Judaica, o cineasta Silvio Tendler fez questão de proclamar sua amizade pelo cartunista Carlos Latuff, divulgando o link de um blog com seleção criteriosa de alguns dos trabalhos de seu amigo antissionista, a fim de que a comunidade judaica brasileira pudesse constatar os bons sentimentos que moveriam o cartunista:

Tenho sido acusado de ser amigo do “antissemita” Latuff, de “Latuff, o sanguinário”. Pois bem, assumo e apresento O MEU AMIGO LATUFF, que os que se alimentam da guerra fazem questão de esconder, e ajudo a torná-lo público. O objetivo é um só: fazer justiça a um grande artista e caminharmos juntos rumo a um mundo de fraternidade. Conhecer estas charges de Latuff é um bom começo para começarmos 2013 com os espíritos desarmados:
http://www.anis-online.de/1/rooms/latuff/forgiveness.htm
.

Latuff pode ser considerado o Fips da era digital. Convidado pela Autoridade Palestina para conhecer, em 1998, os territórios ocupados, ele se converteu à causa palestina, passando a publicar seus trabalhos no Der Stürmer global que hoje são os milhares de sites e blogs extremistas, acessados por qualquer internauta. Ninguém esconde as lindas obras de Latuff, que foram por ele doadas ao mundo, com “free copyright licenses that anyone can use”.

O caricaturista brasileiro ficou tão conhecido por suas “críticas legítimas a Israel”, feitas através de imagens-choques que reduzem a maniqueísmos alguns dos mais complexos problemas do mundo atual, que ele obteve com mérito o segundo lugar no infame Concurso das “Caricaturas do Holocausto”, promovido pela Casa do Cartum do Irã, em 2006, com a imagem de um palestino chorando diante do Muro em Gaza como se fosse um judeu prisioneiro de Auschwitz:

Carlos Latuff - Holocausto, Segundo Lugar no Concurso das Caricaturas do Holocausto do Irã.. lugar.

Carlos Latuff – Holocausto, Segundo Lugar no Concurso das Caricaturas do Holocausto do Irã.

Em fins de 2012, Latuff conseguiu superar-se, galgando o infamante terceiro lugar na lista dos Top Ten 2012 do antissemitismo/antissionismo mundial, do Centro Simon Wiesentahl, por conta da caricatura que perpetrou do Rabino Marvin Hier retorcendo o cadáver de uma criança palestina para obter votos para Benjamin Netanyahu:

Carlos Latuff - Rabbi Marvin Hier, 2012.

Carlos Latuff – Rabbi Marvin Hier, 2012.

Apesar de Latuff ser simultaneamente cultuado pela extrema-direita e pela extrema-esquerda, graças ao seu imaginário escatológico e belicoso centrado no ódio a Israel, Silvio Tendler considera que existem ainda pessoas malignas, que se “alimentam da guerra”, e fazem “questão de esconder” as obras-primas do “grande artista” injustiçado. Nem é preciso dizer quem seriam esses bodes expiatórios de sempre, que impedem o Paraíso na Terra.

Porém, Tendler divulgou na Rua Judaica apenas as charges menos populares do “genial Latuff”, talvez para convencer os judeus hesitantes a caminharem “todos juntos rumo a um mundo de fraternidade” (em meio aos foguetes palestinos e às bombas israelenses?). Mas os que se alimentam da paz não deviam esconder as charges mais queridas de Latuff, aquelas que fizeram sua glória nas mídias extremistas.

Numa dessas charges, a estrela de Davi projeta-se num muro como a sombra de um neonazista que acabou de matar um mendigo a porrete, com a afirmação enigmática de que “nazismo já era, a suástica agora é bem outra”, associando gratuitamente o símbolo judaico (representando Israel? Os israelenses? Os sionistas? Os judeus?) ao assassinato de mendigos em São Paulo por neonazistas! Negando confundir judeus com Israel, hoje Latuff acusa o Simon Wiesentahl Center de confundir suas “críticas legítimas a Israel” com antissemitismo.

BRASIL - LATUFF - 1

Em suas charges contra Israel, verdadeiras obras-primas de difamação, inspiradas no mestre Fips, o “grande artista” Latuff exprime sua visão fraterna dos povos em conflito. Nelas ele não condena apenas “o governo israelense”, como insiste em alegar, com modéstia, em suas entrevistas, governo que é, claro, sempre mau. Ao utilizar os símbolos nacionais e religiosos do Estado Judeu (a bandeira de Israel, a estrela de Davi, o Knesset com a Menorah), Latuff engloba em seus ataques todos os israelenses, e os judeus em geral.

Latuff não critica um ou sucessivos governos de Israel, mas a existência desse Estado, não importando seus governos, pois a causa palestina que defende é aquela que sonha em varrer o Estado Judeu do mapa. Conta agora com o apoio das mídias de consumo, prostradas diante de seu discurso radical, como nessa espantosa entrevista da Folha, em que o repórter Douglas Lisboa, depois de acatar submisso, sem opor um argumento, todas as falas de Latuff, dele se despede com palavras de encantamento e ternura:

Caramba! Sim, poxa, legal, cara! Se eu pudesse conversava contigo mais… De qualquer modo, parabéns pelo trabalho, aí! Espero que você continue com sucesso… e que a gente possa conversar em outra oportunidade. E, se quiser alguma correção, ou se quiser algum contato mesmo… quiser me enviar ou escrever, pode ficar à vontade…

Divulgo, pois, algumas obras-primas de Latuff, para que todos possam reconhecer suas boas intenções ao comparar soldados judeus a carrascos nazistas, palestinos de Gaza a judeus de Auschwitz e cidadãos pró-Israel a cabeças-de-merda. Numa de suas expressões de “crítica legítima ao governo de Israel”, ele transforma Sharon em vampiro e Netanyahu num SS esportivo com cão-pastor Obama na coleira; e em seu sincero “pacifismo”, exalta um Guevara com lenço palestino. São imagens grotescas, raivosas e unilaterais, mas que Tendler consideraria sutis, fraternas e ponderadas, visando sempre um novo mundo possível, onde todos caminharão de mãos dadas rumo ao Paraíso:

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