10 MELHORES FILMES DE 2015

3 jan

Mad Max 2015.jpg

Não há mais obras-primas no cinema, feitas até a década de 1970 sem a necessidade dos muitos milhões de dólares gastos hoje nos blockbusters, nem vou mais ao cinema com a frequência de quando eu escrevia para as mídias de São Paulo. Há anos que, por comodismo, compro os filmes em DVD ou Bluray para ver em casa, sem ter de lidar com uma plateia que fede a pipoca amanteigada e não consegue desligar seus celulares.

Perdi muitos dos filmes que aparecem nas listas dos críticos: Birdman (Birdman ou a inesperada virtude da ignorância), de Alejandro Iñárritu; Cinderella (Cinderela), de Kenneth Branagh; The Martian (Perdido em Marte), de Ridley Scott; In the Heart of the Sea (No coração do mar), de Ron Howard; Star Wars VII – The Force Awakens (Star Wars – O despertar da Força), de J. J. Abrams; Inside Out (Divertida mente), de Pete Docter; Whiplash (Whiplash – Em busca da perfeição, 2015), de Gabriel Mascaro…

A lista que se segue é apenas a dos dez melhores filmes de 2015 que eu vi nas salas de cinema.

(1) Mad Max: Fury Road (Mad Max: Estrada da Fúria, 2015), de George Miller, com Tom Hardy e Charlize Theron. George Miller cria um universo horrendo, estilizado e povoado por monstros humanos. A ação é contínua e o filme é uma proeza de direção e de edição. Num mundo futuro desertificado, o “imperador” Immortan Joe desperdiça a pouca água que resta liberando-a para seus súditos neonazistas na forma de uma cascata artificial que ele abre e fecha. A água respinga nas panelas, caçarolas, latas e latinhas que o povo idiota estende para o alto, mas a maior parte do precioso líquido resvala pelas pedras e se perde na areia. A imperatriz Furiosa decide fugir desse reino idiota levando consigo as lindas escravas reprodutoras do Immortan Joe, que move então uma perseguição implacável à traidora que roubou seus “tesouros”. Nessa contenda automotiva estimulada pelos acordes incendiários de um guitarrista apocalíptico, as beldades em fuga são ajudadas pelo outsider Mad Max, traumatizado por não ter impedido a morte dos seus entes queridos, e por um súdito-perseguidor neonazista (Nicholas Hoult), que sonha com a morte gloriosa no Valhala, mas que acaba se convertendo à causa das neoamazonas. O 3D desse filme heavy-metal me deixou tonto e com dor de cabeça. Nos últimos 20 anos, Miller dirigiu apenas três filmes menores: Happy FeetHappy Feet Two e Babe: Pig in the City – produções dirigidas ao público infantil que nada tinham de autoral. Este é seu primeiro filme de ação desde Mad Max: Beyond Thunderdome (1985). Com um orçamento de US$150 milhões, Miller teve liberdade para fazer o filme que queria, e fez

(2) Spectre (007 Contra Spectre, 2015), de Sam Mendes, com Daniel Craig e Christoph Waltz.

(3) Mission: Impossible – Rogue Nation (Missão impossível 5: Nação Secreta, 2015), de Christopher McQuarrie, com Tom Cruise e Jeremy Renner

(4) Bridge of Spies (Ponte dos espiões, 2015), de Steven Spielberg, com Tom Hanks e Mark Rylance.

(5) The Visit (A visita, 2015), de M. Night Shyamalan, com Olivia DeJonge e Ed Oxenbould.

(6) Jurassic World (Jurassic World: o mundo dos dinossauros, 2015), de Colin Trevorrow, com Chris Pratt e Bryce Dallas Howard.

(7) Everest (Everest, 2015), de Baltasar Kormákur. Com Jason Clarke, Jake Gyllenhaal e Josh Brolin. Filme baseado em fatos reais ocorridos em 1996, quando dois grupos de alpinistas amadores inscrevem-se em dois pacotes de duas agências de “turismo radical” que prometem levá-los com segurança ao topo do Everest, a mais alta montanha do mundo. A aventura exaltante termina numa terrível tragédia.

(8) La Vénus à la fourrure (A pele de Vênus, 2013), de Roman Polanski, com Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric, a partir de uma peça de David Ives. Apenas dois atores sustentam o mais recente huis-clos do cineasta. Após uma linda abertura pelas ruas de Paris sob um céu de chumbo, a ação transcorre toda dentro de um pequeno teatro, numa fria noite de tempestade. Vanda Jordan (Emmanuelle Seigner), uma atriz que já beira a decadência sem ter conseguido destacar-se, chega atrasada ao teste de atores para a nova peça do diretor Thomas (Mathieu Amalric), que adaptou para o teatro o romance Vênus em casaco de pele, de Leopold von Sacher-Masoch. Abusando do visual punk-gótico-sadomasô, Vanda pensa ser a pessoa ideal para encarnar Wanda von Dunayev. O diretor já encerrou as audições, sem encontrar os atores certos, e não vê na candidata retardatária nenhuma qualidade especial que o comova, apressando-se em despachá-la. Com truques que apelam à vaidade e ao fetichismo do diretor, Vanda consegue, contudo, convencê-lo a mudar de ideia. Thomas acaba ensaiando com a atriz quase a peça inteira, assumindo o papel do pervertido aristocrata Severin, que deseja ser dominado por Wanda, num jogo sadomasoquista de entra-e-sai da pele dos personagens. Apenas no final, quando Thomas deixar cair suas defesas, Vanda revela seus verdadeiros e sinistros propósitos. Primeiro filme realizado por Polanski após ser preso em 2009, na Suíça, aonde fora receber um prêmio, devido ao infindável processo em curso nos EUA desde 1974, pelo abuso sexual de uma menor – que já o perdoou –, La Vénus à la fourrure alude a esse último pesadelo de sua vida. Os outros pesadelos: o nazismo no gueto de Lodz, o comunismo na Polônia do pós-guerra e o assassinato da primeira esposa, Sharon Tate, grávida, pelos psicopatas de Charles Mason no exílio americano. Seigner, esposa de Polanski, que estrelou outros filmes seus, para o injusto desgosto da crítica, que nunca reconheceu seu talento (ela está ótima no papel da atriz azarada) contracena com Amalric, parecido com o cineasta, e cujo personagem cai, como o diretor na vida real, numa armadilha sexual armada pela sanha do politicamente correto, a nova peste totalitária a minar a liberdade individual pela imposição de sentimentos de culpas sociais pelas “minorias oprimidas”, numa empresa de equalização forçada. Polanski mostra-se em forma, agora com o apoio de sua Polônia natal, mas ainda limitado ao limbo da produção independente europeia, sem perspectivas de reinserir-se no panteão de Hollywood. O filme é de 2013, mas estreou no Brasil em 2015.

(9) Victor Frankenstein (Victor Frankenstein, 2015), de Paul McGuigan, com Daniel Radcliffe, James McAvoy e Jessica Brown Findlay.

(10) Irracional Man (Homem irracional, 2015), de Woody Allen, com Joaquin Phoenix e Emma Stone. Abe Lucas, professor de filosofia, é um homem depressivo e deprimente, que professa um niilismo atraente para certas mulheres, apesar da barriga crescente e do ar decadente. Transferido para a universidade de uma pequena cidade, Abe seduz Rita, uma colega desamparada pelo marido, e a brilhante aluna Jill. Esses relacionamentos se desarranjam, contudo, quando Abe e Jill ouvem a conversa de estranhos numa lanchonete sobre um juiz que impede o divórcio de uma infeliz mulher. Para provar suas teorias niilistas, Abe decide “brincar de Deus” e fazer um casal feliz envenenando o café que o malvado juiz toma sempre a certa hora no parque que ele também frequenta. Quando Jill passa a suspeitar de seu mestre, este se vê obrigado a eliminar também a pupila.

Alguns dos melhores filmes de 2015 eu vi, contudo, em DVD e em Bluray:

(1) Woman in Gold (A dama dourada, 2015), de Simon Curtis, com Helen Mirren, Ryan Reynolds, Daniel Brühl, Moritz Bleibtreu e Katie Holmes. Baseado no processo aberto por um jovem advogado, neto do compositor Arnold Schoenberg, envolvendo os direitos de posse do famoso quadro rebatizado de A dama dourada, de Gustav Klimt, orçado em 100 milhões de dólares, este filme emocionante recorda um dos capítulos ainda não encerrados do Holocausto: o saque das obras de arte dos judeus, estocadas em mais de 1.000 depósitos na Alemanha e na Áustria. Após a guerra e sob a coordenação do exército americano, cerca de 700 mil peças foram identificadas e restituídas aos seus países, cujos governos deveriam localizar seus legítimos donos para a devolução. Mas muitos governos e importantes museus fizeram de tudo para reter esses tesouros e, passadas sete décadas, cerca de 100 mil peças ainda não foram devolvidas.

(2) Im Labyrinth des Schweigens (Labirinto de mentiras, Alemanha, 2015). Direção: Giulio Ricciarelli. Com Alexander Fehling, André Szymanski, Friederike Becht. Em 1958, na cidade de Frankfurt, o jovem procurador Johann Radmann (Alexander Fehling) começa a investigar antigos membros da SS que teriam cometido assassinatos em Auschwitz, sendo o Holocausto algo completamente ignorado pela jovem geração, verdadeiro tabu no país. Para chegar aos culpados e levá-los a julgamento, Johann terá de empreender uma pesquisa épica nos arquivos, encarnando Teseu no Labirinto, com o fantasma do Dr. Joseph Mengele assumindo o papel do Minotauro, enfrentando ainda a pressão de seu meio, as negativas das autoridades, a dissimulação dos nazistas, o ódio dos colaboradores, as ameaças de morte, o rompimento dos seus poucos laços sociais, chegando finalmente à verdade última, que ameaça sua própria identidade.

(3) The Imitation Game (O jogo da imitação, 2014), de Morten Tyldum, com Benedict Cumberbatch e Keira Knightley. Durante a Segunda Guerra, o matemático inglês Alan Turing (Benedict Cumberbatch) é contratado pelos serviços secretos britânicos para desenvolver uma máquina capaz de decodificar os códigos nazistas. Após inúmeras tentativas frustradas, a máquina que desenvolve com um grupo de cientistas acaba conseguindo obter resultados, mas o segredo deve ser mantido para que os nazistas não suspeitem da invenção e criem outo código mais complexo. Assim, o bombardeio de um navio é permitido, mas como os pais de um dos cientistas encontram-se nesse navio, a omissão de socorro abala e divide a equipe. Turing também sofre chantagens do governo por conta de sua homossexualidade e acaba se submetendo a um tratamento cruel de “cura” de si que o faz entupir-se de remédios e afastar-se ainda mais de uma vida normal: isolado e sozinho, ele morre de depressão. A máquina que ele inventou evoluirá para os atuais computadores. O filme é de 2014, mas estreou no Brasil em 2015.

(4) Terminator Genisys (O exterminador do futuro: gênesis, 2015), de Alan Taylor, com Arnold Schwarzenegger e Jason Clarke.

(5) Snowpiercer (O expresso do amanhã, 2013), de Bong Joon-Ho, com Chris Evans, Jamie Bell e Tilda Swinton. O filme é de 2013, mas estreou no Brasil em 2015.

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