COMO FORAM SALVAS DA PILHAGEM NAZISTA AS OBRAS-PRIMAS DO LOUVRE

25 jun
Rara imagem de Jacques Jaujard, primeiro plano, de óculos.

Rara imagem de Jacques Jaujard, primeiro plano, de óculos.

Dirigir é prevenir, diz um ditado. E Jacques Jaujard, o então diretor do Museu do Louvre, previu. No início da Segunda Guerra Mundial ele organizou, com um grupo de resistentes e amantes da arte, uma incrível e rocambolesca desmontagem das obras-primas do Museu do Louvre, para salvá-las da pilhagem nazista. Mais de quatrocentas caixas de livros e documentos dos arquivos; as estátuas egípcias, gregas e romanas; todos os desenhos, as tapeçarias e os móveis foram minuciosamente embalados.

No total, 203 caminhões evacuaram 1802 caixas até o Castelo de Chambord, a 160 km ao sul de Paris. O transporte não contou com a segurança que hoje se requer para qualquer viagem de obras de arte. Os especialistas se espantam que tenham colocado, por exemplo, o enorme quadro Le Radeau de la Méduse (A balsa da Medusa), de Théodore Géricault, diretamente num caminhão, coberto por um pano… Mas foi exatamente o que fizeram.

A Vitória de Samotrácia foi desmontada peça por peça sobre as escadarias de mármore branco no alto da qual ela se encontra ainda hoje. O êxodo de mais de 4.000 tesouros (incluindo a Mona Lisa e o Escriba sentado) realizou-se sem o conhecimento de Hitler e do ludibriado governo de Vichy.

Jacques Jaujard era uma personalidade extravagante e um apaixonado pela arte. Contando com a colaboração de René Huyghe, ele comandou a operação clandestina embora fosse um alto funcionário modelo do Estado. Mas percebeu que o perigo se aproximava e era preciso agir, sem pensar nas consequências. Ele pôs seu conhecimento sobre as engrenagens do sistema, seu senso estratégico e sua incrível ousadia a serviço de uma causa maior: a salvação do patrimônio da França.

A evacuação improvisada, urgente, sem segundos pensamentos, das obras-primas do Louve, realizou-se como algo “muito folclórico”, como lembra Lydie Huyghe, viúva de René (“Ele seguia na frente e observava as estradas, os fios telefônicos que podiam impedir a passagem dos caminhões, e telefonava para o Louvre dizendo que não podiam pegar tal estrada, que tinham que tentar outra”): esse é um evento que transcende a imaginação contemporânea.

A pouco lembrada epopeia de Jaujard revela outra faceta da Resistência francesa. O filme Illustre et Inconnu. Comment Jacques Jaujard a sauvé le Louvre (Ilustre e desconhecido: como Jacques Jaujard salvou o Louvre, 2015), de Jean-Pierre Devillers e Pierre Pochart, revisita um capítulo essencial e esquecido da história francesa, combinando entrevistas e depoimentos, imagens raras de arquivo e trechos dos diários de Jaujard com uma narração dinâmica.

Sequências de animação do protagonista são incluídas entre as cenas rodadas nos próprios arquivos. Essa forma de representação coaduna-se com a elegância de um herói “ilustre e desconhecido” que, como todos os heróis discretos, soube permanecer nos bastidores, sem fazer publicidade de seus grandes feitos.

Veja o filme aqui.

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