MENSEN ERNST

9 abr

Imagem

Resumo de um artigo de Bredo Bernstein, bibliotecário e autor da biografia Mensen Ernst, Koperkongen (Mensen Ernst, o rei da caminhada). Creio que o artigo, em que o autor sintetizava seu livro, foi publicado em 1982, na revista da UNESCO, mas infelizmente perdi a referência. Nos meus arquivos, encontrei apenas este resumo que fiz. (Luiz Nazario)

Em 1819, o andarilho norueguês Mensen Ernst fez, em nove horas, o percurso de 116 km de Londres a Portsmouth e, em 32 horas, os 240 km que separam Londres de Liverpool.

Através de suas andanças, Mensen Ernst tornou-se um cidadão do mundo, estudou as culturas estrangeiras, aprendeu o inglês, o francês, o alemão, noções de italiano e de turco.

Em 1832, aos 37 anos, correu de Paris a Kaiserlautern em dois dias. Declarou mais tarde: “Sentia como se minhas veias estivessem prestes a arrebentar. As pessoas que me viam passar tomavam-me por excêntrico, louco ou possuído pelo demônio”.

Sempre correndo, Ernst chegou a Moscou após 14 dias de sua partida, ganhando uma aposta de 3.800 francos. Devido ao estado precário de suas roupas, foi confundido com um mendigo.

Havia percorrido cerca de 2.500 km, ou seja, mais de 170 km diários. Alimentava-se, basicamente, de pão, queijo, verduras, e raramente de alguma carne fria. Dormia no chão, ao ar livre, ou sobre um estrado duro. Sua única fraqueza era o vinho, que bebia direto da garrafa, mesmo quando corria.

Ao voltar a Paris, Mensen Ernst já se tornara uma lenda viva, atraindo milhares de entusiastas. Em 1833, partiu de Munique em direção a Náuplia, então capital do recém-criado estado grego, levando documentos de Ludwig I da Baviera e da rainha Teresa a seu filho Otto I, rei da Grécia.

Em Montenegro, Mensen foi atacado por cinco bandidos, que por sorte não deram importância às cartas. Em Cataro, foi preso como espião, mas depois de três dias, o paxá de Janaina o libertou. Depois de 24 dias de viagem, tendo percorrido 2.700 km, ou 135 km por dia, ganhou a recompensa prometida de 1.000 guineis.

Em 1836, Mensen cobrou 150 libras para levar importantes documentos de Constantinopla a Calcutá em quatro semanas. Entre a ida e a volta, percorreu cerca de 8.300 km em 59 dias, ou seja, 150 km diários, com descanso de três dias em Calcutá.

Sua quarta jornada épica foi também a última. O conde Hermann von Pückler-Muskau propôs a Mensen Ernst descobrir a foz do rio Nilo. Partindo das terras do conde na Silésia prussiana no dia 11 de maio de 1842, ele se dirigiu a Constantinopla, depois Jerusalém, aonde chegou ao cabo de 30 dias, e percorreu, por fim, os 500 km até o Cairo.

Depois de passar alguns meses na capital egípcia, Mensen Ernst seguiu para o sul ao longo do Nilo. Mas, minado por uma disenteria, morreu em pleno deserto em 22 de janeiro de 1843, perto de Syene, hoje Assua.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: