A CONFUSÃO ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO

17 mar
a - Cópia

Imagem da página ‘Pinto Crítica’. Detalhe de uma das fotos enviadas e publicadas.

Parece que a Universidade brasileira está entrando num processo de franca decadência. O caso dos trotes racistas e nazistas na UFMG soou um alerta vermelho. Não sei se houve uma resposta à altura do caso. Sei que o nível cultural dos novos estudantes é cada vez mais baixo, pois é algo que constatamos diariamente em nossas aulas. Hoje, visitando o grupo UFMG no Facebook, me surpreendi com uma fanpage intitulada “Pinto Crítica”, no endereço: https://www.facebook.com/pintocriticaufmg.

A página se dedica a receber e analisar as fotos que recebe dos pintos dos estudantes da UFMG. As fotos dos membros sexuais eretos dos jovens alunos são enviados pelos mesmos, in-box ou por e-mail, com a garantia da preservação do anonimato. Para não correr o risco de ser tirada do ar, a página assim se estrutura:

“As fotos serão postadas somente em links que direcionará [sic] vocês para a imagem. Será feito desta forma para evita [sic] que o facebook [sic] nos bloqueei [sic] como conteúdo ofensivo ou spam. Receberemos as fotos e analisaremos, e assim, divulgaremos a foto com uma analise [sic] geral. Como enviar sua foto: Vocês podem enviar suas fotos através do inbox do facebook, ou pelo e-mail: glamourufmg@yahoo.com. Quem pode participar: – Meninas e meninos estudantes da UFMG. Tudo será feito sigilosamente sem a divulgação de nomes. Pedimos que deixem a idade e o curso também. Deixamos claro também que só será divulgado [sic] o nome do curso e a idade [se] o dono da foto permitir. Esperamos a colaboração de todos!”.

O “Pinto Crítica” já recebeu e publicou diversas fotos de pênis eretos de supostos estudantes da UFMG, com o logo da UFMG ao qual acrescentou a palavra Glamour, acompanhadas com as respectivas “análises gerais” sobre a forma do membro e dos pelos, a qualidade da foto etc. A administradora anônima da página também incita seus seguidores a revelar fofocas, casos e escândalos sexuais envolvendo os acadêmicos da UFMG: “Vocês sabiam que aceitamos baphos [sic] também? Envia-nos os melhores baphos sexuais da UFMG.”

“Pinto Crítica” divulga, finalmente, outras iniciativas “culturais” dos estudantes da UFMG, como o grupo fechado “UFMG – sexo casual”, cuja missão é ser um “Lugar para facilitar contatos, entre pessoas que frequentam a UFMG, e procurem algo mais… O grupo deve crescer conforme as pessoas ficarem com menos preconceito em participar.”: https://www.facebook.com/groups/699345466777942/.

Preconceito é a palavra mágica brandida contra qualquer reação à sabotagem das instituições. Não, nada tenho contra sexo e pornografia entre estudantes, muito pelo contrário. Não vejo nenhum problema em estudantes exibirem seus sexos para quem eles quiserem, entre quatro paredes, ou, se preferirem, em sites pornográficos, ou em praticarem sexo, casual ou não: isso é da conta deles apenas. Mas associar o logotipo e o nome da UFMG a atividades de bordel é confundir o público com o privado, perder a noção da ética no meio acadêmico e macular a instituição com objetivos escusos.

2 Respostas to “A CONFUSÃO ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO”

  1. Dagmar Moura 10/06/2016 às 15:59 #

    Excelente, Luiz Nazario! Excepcional o seu blog. Aprendo com ele a discernir e a conhecer melhor as rotas do cotidiano. ABRAÇOS.

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