OS 300 DESINFORMADOS

21 jan

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Um abaixo assinado com 300 nomes de jornalistas, intelectuais e ativistas dos Direitos Humanos defendendo o cartunista Carlos Latuff, “acusado de antissemitismo” pelo Simon Wiesentahl Center, foi entregue à Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. Mas porque esse manifesto, que deveria ser destinado ao Simon Wiesentahl Center, com sede em Nova York, foi entregue à Federação Israelita, com sede no Rio de Janeiro?

Na cabeça de Latuff e de seus defensores, talvez Simon Wiesentahl Center e Federação Israelita do Rio de Janeiro sejam uma mesma e única coisa, uma coisa de judeus, de judeus que são todos iguais, seja em Nova York, seja no Rio de Janeiro, seja de direita seja de esquerda, seja “amigo de Latuff” ou não. Pobre Silvio Tendler: na cabeça daquele a quem chama de “amigo”, ele não passa de um judeu.

Assim Latuff defendeu-se da acusação: “Eu estou na frente de um grupo da extrema-direita grega por ter feito charges criticando a postura do Estado de Israel. A expressão antissemita se refere a ódio aos judeus, ódio racial ou ódio religioso, nem uma coisa nem outra tem a ver com meu trabalho.”

A definição atual de antissemitismo não é tão simples quanto Latuff imagina ou pretende fazer acreditar que ele a assim imagina. Alguns ativistas árabes, por exemplo, alegam que a expressão “antissemitismo” refere-se ao ódio dirigido aos semitas; sendo os árabes tão semitas quanto os judeus, eles não poderiam ser acusados se antissemitismo em seus ataques aos judeus…

Por outro lado, a expressão “antissemitismo” referia-se, tradicionalmente, ao ódio aos judeus, à sua etnia, religião e cultura, quando os judeus não possuíam um Estado. A partir do momento em que os judeus passaram a possuir o Estado de Israel, o ódio aos judeus ganhou uma nova dimensão.

Essa dimensão confunde-se e mescla-se com o que passou a ser chamado de “antissionismo”. Por isso o “Top Ten” do Simon Wiesentahl Center no qual Latuff foi incluído em terceiro posto não se refere apenas a “antissemitismo”, como alega o cartunista. É o “Top Ten dos Antissemitas/Antissionistas”. E Latuff é declaradamente antissionista.

Na atualidade, os antissemitas preferem odiar o Estado de Israel e não mais os judeus, pois esse Estado agora representa a coletividade judaica de uma forma abstrata, fazendo com que o velho ódio primitivo, de tipo nazista, com seu conceito caduco de “raça”, ganhe feições “civilizadas” e “politicamente corretas”.

Professar o antissemitismo não é mais tão cool como o foi nos anos que precederam o nazismo, com suas  cruéis perseguições aos judeus. Depois do Holocausto, ser antissemita é algo de peçonhento e rançoso. Mas os antissemitas encontraram uma tábua de salvação: não precisam mais odiar os judeus diretamente, atacando sua “raça”, sua cultura e religião. Podem simplesmente odiar Israel. Isso hoje é cool e politicamente correto.

O novo antissemitismo sublimado pode ser assim adotado pelas esquerdas, pelos intelectuais, pelos jornalistas, pelos ativistas dos Direitos Humanos, pelos caricaturistas engajados e por toda subcultura, pois vem com um lindo verniz de libertarismo, anarquismo, pacifismo e humanitarismo. O novo antissemita nada tem contra os judeus, ele só critica Israel. Criticar Israel é legítimo, e pode ser uma prática sistemática, generalizada e, claro, sem limites.

É notável, enfim, que Latuff se defenda de ser antissemita alegando estar à frente de “um grupo da extrema direita grega”, sendo público e notório que seu compromisso político é oposto aos ideais desse grupo. Por que suas charges, que defendem posições de extrema-esquerda, são amadas pela extrema-direita? O que a extrema-direita e a extrema-esquerda têm em comum, além de seu extremismo? A resposta é simples: o ódio aos judeus, seja em sua velha forma antissemita, seja em sua nova forma antissionista.

5 Respostas to “OS 300 DESINFORMADOS”

  1. Léo Veimrober 22/01/2013 às 12:57 #

    Infelizmente, não vimos o “incauto” (será?) Carlos Latuff criticar os terroristas muçulmanos, nem quando eles matam seu próprio povo, covardemente. Não o vimos mostrar que o muro de defesa de Israel diminuiu em 100% os covardes ataques a civis inocentes de Israel. Não o vimos criticar os milhares de ataques de foguetes dos terroristas do Hamas contra cidades de Israel nos últimos anos. Já contra Israel ele posta de tudo, pintando o quadro de nazista e assassino. Qualquer ação de Israel levam esse infeliz cidadão a expor seu ódio infundado ao povo judeu. O pior ignorante é o que tem o apoio dos demais!

  2. claudio/niterói 22/01/2013 às 14:18 #

    Uma prova de seu antissemitismo é ter entregue a carta à Federação Israelita, como se esta fosse representante do Simon Wiesentahl Center, ou mesmo do Estado de Israel. Isso demonstra que ele acha que todos os judeus são iguais e, por isso, tanto faz para quem ele entrega.

  3. Breno A.Soibelman 22/01/2013 às 22:56 #

    Sugiro que alguém que tenha os meios disponíveis coloque lado a lado as charges de Latuff com aquelas publicadas na imprensa alemã do período nazista. Se isto for possível, se verá a enorme semelhança entre as duas. Desta maneira fica fácil provar que o que o senhor Latuff chama de antissionismo nada mais é que um antissemitismo muitíssimo mal disfarçado.

    • Luiz Nazario 22/01/2013 às 23:46 #

      Caro Breno, pensei em fazer isso; são muito semelhantes. Por isso chamei o Latuff de “nosso Fips”. Fips era o apelido do cartunista do ‘Der Stürmer’. O imaginário do “Judeu Carniceiro” desenvolvido por Fips é hoje assimilado ao do “Estado Judeu Carniceiro” de Latuff.

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  1. Os 300 desinformados - 21/01/2013

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