A ARTE DA DIFAMAÇÃO

8 jan
Carlos Latuff - Latuff SVC.

Carlos Latuff: orgulhoso do terceiro lugar no Top Ten dos difamadores de Israel.

Na sessão de Carta dos Leitores do jornal eletrônico Rua Judaica, o cineasta Silvio Tendler fez questão de proclamar sua amizade pelo cartunista Carlos Latuff, divulgando o link de um blog com seleção criteriosa de alguns dos trabalhos de seu amigo antissionista, a fim de que a comunidade judaica brasileira pudesse constatar os bons sentimentos que moveriam o cartunista:

Tenho sido acusado de ser amigo do “antissemita” Latuff, de “Latuff, o sanguinário”. Pois bem, assumo e apresento O MEU AMIGO LATUFF, que os que se alimentam da guerra fazem questão de esconder, e ajudo a torná-lo público. O objetivo é um só: fazer justiça a um grande artista e caminharmos juntos rumo a um mundo de fraternidade. Conhecer estas charges de Latuff é um bom começo para começarmos 2013 com os espíritos desarmados: http://www.anis-online.de/1/rooms/latuff/forgiveness.htm.

Latuff pode ser considerado o Fips da era digital. Convidado pela Autoridade Palestina para conhecer, em 1998, os territórios ocupados, ele se converteu à causa palestina, passando a publicar seus trabalhos no Der Stürmer global que hoje são os milhares de sites e blogs extremistas, acessados por qualquer internauta. Ninguém esconde as lindas obras de Latuff, que foram por ele doadas ao mundo, com “free copyright licenses that anyone can use”.

O caricaturista brasileiro ficou tão conhecido por suas “críticas legítimas a Israel”, feitas através de imagens-choques que reduzem a maniqueísmos alguns dos mais complexos problemas do mundo atual, que ele obteve com mérito o segundo lugar no infame Concurso das “Caricaturas do Holocausto”, promovido pela Casa do Cartum do Irã, em 2006, com a imagem de um palestino chorando diante do Muro em Gaza como se fosse um judeu prisioneiro de Auschwitz:

Carlos Latuff - Holocausto, Segundo Lugar no Concurso das Caricaturas do Holocausto do Irã.. lugar.

Carlos Latuff – Holocausto, Segundo Lugar no Concurso das Caricaturas do Holocausto do Irã.

Em fins de 2012, Latuff conseguiu superar-se, galgando o infamante terceiro lugar na lista dos Top Ten 2012 do antissemitismo/antissionismo mundial, do Centro Simon Wiesentahl, por conta da caricatura que perpetrou do Rabino Marvin Hier retorcendo o cadáver de uma criança palestina para obter votos para Benjamin Netanyahu:

Carlos Latuff - Rabbi Marvin Hier, 2012.

Carlos Latuff – Rabbi Marvin Hier, 2012.

Apesar de Latuff ser simultaneamente cultuado pela extrema-direita e pela extrema-esquerda, graças ao seu imaginário escatológico e belicoso centrado no ódio a Israel, Silvio Tendler considera que existem ainda pessoas malignas, que se “alimentam da guerra”, e fazem “questão de esconder” as obras-primas do “grande artista” injustiçado. Nem é preciso dizer quem seriam esses bodes expiatórios de sempre, que impedem o Paraíso na Terra.

Porém, Tendler divulgou na Rua Judaica apenas as charges menos populares do “genial Latuff”, talvez para convencer os judeus hesitantes a caminharem “todos juntos rumo a um mundo de fraternidade” (em meio aos foguetes palestinos e às bombas israelenses?). Mas os que se alimentam da paz não deviam esconder as charges mais queridas de Latuff, aquelas que fizeram sua glória nas mídias extremistas.

Numa dessas charges, a estrela de Davi projeta-se num muro como a sombra de um neonazista que acabou de matar um mendigo a porrete, com a afirmação enigmática de que “nazismo já era, a suástica agora é bem outra”, associando gratuitamente o símbolo judaico (representando Israel? Os israelenses? Os sionistas? Os judeus?) ao assassinato de mendigos em São Paulo por neonazistas! Negando confundir judeus com Israel, hoje Latuff acusa o Simon Wiesentahl Center de confundir suas “críticas legítimas a Israel” com antissemitismo.

BRASIL - LATUFF - 1

Em suas charges contra Israel, verdadeiras obras-primas de difamação, inspiradas no mestre Fips, o “grande artista” Latuff exprime sua visão fraterna dos povos em conflito. Nelas ele não condena apenas “o governo israelense”, como insiste em alegar, com modéstia, em suas entrevistas, governo que é, claro, sempre mau. Ao utilizar os símbolos nacionais e religiosos do Estado Judeu (a bandeira de Israel, a estrela de Davi, o Knesset com a Menorah), Latuff engloba em seus ataques todos os israelenses, e os judeus em geral.

Latuff não critica um ou sucessivos governos de Israel, mas a existência desse Estado, não importando seus governos, pois a causa palestina que defende é aquela que sonha em varrer o Estado Judeu do mapa. Conta agora com o apoio das mídias de consumo, prostradas diante de seu discurso radical, como nessa espantosa entrevista da Folha, em que o repórter Douglas Lisboa, depois de acatar submisso, sem opor um argumento, todas as falas de Latuff, dele se despede com palavras de encantamento e ternura:

Caramba! Sim, poxa, legal, cara! Se eu pudesse conversava contigo mais… De qualquer modo, parabéns pelo trabalho, aí! Espero que você continue com sucesso… e que a gente possa conversar em outra oportunidade. E, se quiser alguma correção, ou se quiser algum contato mesmo… quiser me enviar ou escrever, pode ficar à vontade…

Divulgo, pois, algumas obras-primas de Latuff, para que todos possam reconhecer suas boas intenções ao comparar soldados judeus a carrascos nazistas, palestinos de Gaza a judeus de Auschwitz e cidadãos pró-Israel a cabeças-de-merda. Numa de suas expressões de “crítica legítima ao governo de Israel”, ele transforma Sharon em vampiro e Netanyahu num SS esportivo com cão-pastor Obama na coleira; e em seu sincero “pacifismo”, exalta um Guevara com lenço palestino. São imagens grotescas, raivosas e unilaterais, mas que Tendler consideraria sutis, fraternas e ponderadas, visando sempre um novo mundo possível, onde todos caminharão de mãos dadas rumo ao Paraíso:

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10 Respostas to “A ARTE DA DIFAMAÇÃO”

  1. Ariel 11/01/2013 às 17:54 #

    Professor Nazario, incrível como você se supera e mais uma vez tem toda razão no que se refere a Latuff, um canalha de marca maior, que se alimenta da mentira, do ódio e de falacias contra Israel e o povo judeu. Quanto à besta (desculpe a revolta) do cineasta Silvio tem que ser rechaçado até que crie vergonha na cara. Ele mostrou caricaturas light para convencer os menos informados, mas escondeu as inúmeras difamações a Israel e aos judeus de seu amiguinho Latuff. Grande abraço, amigo!

    • Luiz Nazario 11/01/2013 às 18:10 #

      Grato, Ariel! De Latuff espera-se isso mesmo. Fico mais chocado com o apoio de Tendler e o encantamento do repórter da ‘Folha’, seduzidos pelo discurso extremista das charges toscas. Imagine o estrago que essas caricaturas fazem nos jovens em formação.

      • Silvio Naslauski 14/01/2013 às 07:28 #

        Confirma-se o ditado: “Todo antissemita sempre tem um amigo judeu!”.

      • Luiz Nazario 14/01/2013 às 12:03 #

        Com uma diferença, Silvio: no caso em tela, é um judeu (de esquerda) que proclama essa amizade.

  2. Israel Blajberg 14/01/2013 às 14:12 #

    Sobre caricaturas: a propaganda nazista também era tecnicamente excelente, havia até ministério, mentes malignas doentias de caricaturistas e cineastas se abastecendo de antigos clichês medievais para alimentar o antissemitismo no Der Stürmer, Der Ewige Jude, Judeu Suss etc. Utilizavam habilmente técnicas de despistamento, campos de concentração especialmente forjados para visitas da Cruz Vermelha, hoje substituídos por amorosos abraços judaico-palestinos. Mas a distorção da história sempre pode ser ainda mais cruel. De que vale profanar a memória dos mártires que tombaram em holocausto ao Santo Nome? Utilizar o seu sofrimento incomensurável para uma crítica exagerada em nada contribui para a pretensa fraternidade alardeada. Ao contrário, a co-existência é solapada por uma única charge, que aos desavisados anula tudo de bom que existe entre primos árabes e israelenses, e que não é pouco. O prêmio recebido nos concurso realizado em Teerã foi mesmo merecido. Trata-se de um hors-concours, injustamente galardoado com o 2º lugar, colocação que certamente não agradou a negacionistas e admiradores em geral.

  3. Bigliazzi Roderlei 22/01/2013 às 15:55 #

    O bacana, hoje, em certos meios culturais, onde Latuff bandeia, é ser contra o estado de direito e a democracia, e a favor do terrorismo e de políticos picaretas.

  4. Weber de Cerqueira Leite Junior 22/01/2013 às 19:39 #

    Melhor evitar qualquer manifestação sobre o Carlos Latuff, não vamos dar publicidade gratuita para esse canalha imbecil.

    • Luiz Nazario 22/01/2013 às 23:53 #

      Como ele há anos já ganhou as mídias eletrônicas de todo o planeta, evitar manifestações críticas com medo de dar publicidade gratuita a Latuff é o mesmo que deixar que a visão de mundo expressa em suas caricaturas domine as mentes ingênuas sem qualquer crítica.

      • Vítor Carvalho Ferolla 19/04/2013 às 01:10 #

        Olá Nazario, conheço os cartuns de Latuff, e acredito sim que ele promova estereótipos antissemitas. Todavia o cartum citado é originalmente este: http://brasil.indymedia.org/images/2004/09/290330.gif. E foi alterado (aparentemente não pelo autor) sendo inserida uma estrela de Davi no lugar. Outros cartuns dele associam judeus ao nazismo, mas normalmente são dentro de um contexto do conflito árabe-israelense, onde ele se defende dizendo que o faz por denúncia a um “Holocausto cometido na Palestina”. E na maioria das vezes não é contraposto por jornalistas que aparentam acreditar na vericidade de sua afirmação.

      • Luiz Nazario 19/04/2013 às 09:31 #

        Grato pela imagem. Não conhecia esta. Fiz uma pesquisa e encontrei a fonte. Creio que o sentido geral da própria obra de Latuff deu margem a essa alteração, feita por um usuário do CMI, como se pode ler pela desculpa desse órgão publicada aqui: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/12/515159.shtml. O CMI explica que “os voluntários da rede colocaram a publicação no ‘lixo aberto’, onde continuou (e ainda continua, agora a pedido do próprio Latuff) acessível.” Ou seja, Latuff não quis eliminar a imagem, mas mantê-la acessível. O sentido disso é complexo. Creio que a charge alterada foi publicada num jornal de sindicato do qual Latuff é colaborador (e não numa publicação pró-Israel, como afirma o CMI). Ela vai de encontro às charges que Latuff publica durante os picos do conflito árabe-israelense – momentos em que ele explora com gosto a associação mais torpe do repertório da ficção antissemita, mascarando Israel de Nazismo e Palestinos de Judeus, como nesta imagem: http://www.advivo.com.br/index.php?q=sites/default/files/imagecache/imagens-mutirao/imagens/holocausto-latuff.gif.

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