GUERRA

26 set

Segunda Guerra Mundial: a tomada de Berlim pelo Exército Vermelho

Entrevista prévia para o Programa Caleidoscópio, da TV Horizonte, sobre o tema “Guerra”. Minha participação no programa foi cancelada após essa prévia: “Prezado Luiz Nazario, conforme conversamos, sua participação no programa do dia 05/05/2010, quarta-feira, sobre “Guerra”, foi cancelada. Agradeço pela atenção e disponibilidade. Att, Larissa Souza, Produção Caleidoscópio, TV Horizonte.” Motivo: a produção não teria encontrado nenhum pacifista em Belo Horizonte para “ir contra” as opiniões expressas na minha entrevista. Assisti ao programa: os debatedores convidados eram todos pacifistas e não havia ninguém para “ir contra” as opiniões deles.

Paz é utopia?

Sim, a paz é uma utopia no sentido de ser uma meta a ser alcançada, e uma utopia no sentido de que ela jamais será alcançada. Há períodos de paz e períodos de guerra, como há regiões mais ou menos pacíficas durante séculos e outras regiões conturbadas constantemente. A paz depende de inúmeros fatores, mas o principal deles é a alegria de viver. Um povo que, por qualquer motivo, perde a alegria de viver tende a culpar outros povos por sua infelicidade, e logo se orienta para a guerra.

Qual sua opinião em relação aos grupos pacifistas?

Não reconheço nenhum grupo pacifista no mundo atual, pois nenhum está agindo no sentido de ampliar o sentido da vida. Nem mesmo os artistas são hoje pacifistas, já que a arte contemporânea tende a deprimir e não a aumentar nas pessoas a alegria de viver. Os que se dizem pacifistas hoje são em geral guerreiros disfarçados, cheios de ódio e de desejos assassinos, aliados de regimes fascistas e grupos terroristas.

O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, ao receber o Nobel da Paz, declarou que prega a guerra justa. É possível pregar a guerra para atingir a paz? Existe guerra justa?

Barak Obama foi eleito brandindo a promessa do pacifismo: ele garantiu ao povo americano cansado de guerra que assim que chegasse ao poder acabaria com a guerra no Afeganistão e no Iraque. Provou que o discurso pacifista sempre rende votos. Mas uma coisa é ter um discurso pacifista, outra mais difícil é obter a paz sem massacrar os inimigos. Outra ainda é ser um pacifista até os ossos, chegando aos extremos do masoquismo, não reagindo quando se é atacado por todos os lados, até a morte. Quanto à guerra, ela é justa quando feita com o objetivo de defender uma população civil desarmada que se encontra sob ataque inimigo.

Por que o homem sempre guerreou?

Alguns homens fazem a guerra pelo prazer de guerrear; outros a fazem pela necessidade de guerrear. É a diferença entre um Hitler e um Churchill, entre um Stalin e um Roosevelt.

Guerra só traz prejuízos ou traz benefícios também?

No plano físico e material, a guerra só traz prejuízos, estragos, desastres e sofrimentos, mas no plano político ela pode trazer benefícios incalculáveis, como a libertação de povos inteiros que antes se achavam oprimidos, a redemocratização de um país que vivia sob uma ditadura sangrenta, com o fim das salas de tortura, dos campos de concentração e de extermínio, dos parques de treinamento de terroristas, das usinas produtoras de armas de destruição em massa, etc.

Foram veiculados vídeos pela WikiLeaks mostrando civis sendo mortos no Iraque, entre eles, jornalistas da Reuters. Imagens chocantes como essas podem servir de apelo para o fim de uma guerra ou pelo menos que outras não ocorram?

As imagens de guerra são sempre usadas com fins de manipulação política, como mostrou Susan Sontag em Diante da dor dos outros. Os regimes totalitários gostam de mostrar suas criancinhas (que eles colocam sem piedade na situação de serem atingidas) mortas pelos bombardeios inimigos para desmoralizar os que os atacam e arrebanhar aliados ao seu regime hediondo junto aos pacifistas, poupando o público das imagens das torturas horrorosas que infligem e pelas quais são justamente bombardeados.

Os grupos pacifistas possuem força para impedir que uma guerra não ocorra?

O objetivo dos grupos ditos pacifistas atuais não é impedir a guerra, uma vez que eles não se levantam quando ela começa, e sim contribuir para que a guerra tenha apenas um lado, impedindo o outro lado de se defender dos ataques de que é vítima.

A intervenção dos pacifistas pode piorar as conseqüências da guerra? Na Segunda Guerra Mundial os pacifistas não queriam que os EUA entrassem na guerra, mas o país acabou entrando devido ao ataque japonês. Nesse caso, seria melhor que os EUA já tivessem entrado na guerra?

Os pacifistas que agem apenas contra um dos lados do conflito têm a clara intenção de defender a causa do lado oposto ao lado que desejam paralisar. Durante a Segunda Guerra, os pacifistas eram colaboradores do nazismo, agentes da quinta coluna que não desejavam que a Alemanha nazista fosse atacada. Em outros conflitos, são os comunistas externos que usam a máscara do pacifismo, tentando impedir intervenções dos aliados dos países que os comunistas internos estão tomando de assalto. Raramente um pacifista é realmente um pacifista, na maioria das vezes é um guerreiro disfarçado.

Na época do 11 de setembro, os pacifistas não queriam que os EUA atacassem o Afeganistão. Podemos dizer então que eles são contra a guerra, mas a favor do terrorismo?

Em parte. A maior parte dos pacifistas era de comunistas que defendiam a não reação diante do terror, ou seja, eles consideravam o terror (e a morte de milhares de civis) uma reação justa e maravilhosa contra o “imperialismo americano”. Mas havia pacifistas sinceros que condenavam o terror e ao mesmo tempo acreditavam que atacar o Afeganistão não resolveria o problema, uma vez que não havia alvos claros e bem definidos a serem atingidos.

A guerra é inevitável? Ela sempre vai existir?

A guerra não é inevitável, mas a paz permanente depende de tantos fatores que dificilmente será atingida, sobretudo depois do advento do terrorismo de massa e da proliferação sem controle dos artefatos nucleares.

2 Respostas to “GUERRA”

  1. Alberto Kremnitzer 29/09/2011 às 19:04 #

    Questão complexa esta.
    Pacifista, no sentido de não ser o primeiro a atacar (caso nossa vida não esteja em perigo) faz sentido. Em alguns casos, se faz necessário atacar para evitar que nosso inimigo atinja uma posição muito mais forte com determinação de nos atingir. Não podemos nos esquecer que determinados indivíduos e/ou grupos não estão abertos ao diálogo. Nossa vida, de nossa família, amigos e cocidadãos é sagrada. Lamentavelmente, em alguns casos é necessário ferir/matar para não morrer.
    Considerando a História da evolução das sociedades/nações, não resta dúvida de que o homem é um ser agressivo, a própria concorrência pelo posto de trabalho, pelo alimento requer uma certa agressividade. Pela educação acredito que podemos reduzir a um mínimo esta agressividade.
    Considerando que só podemos ser responsáveis por nossos atos, dependemos da atitude do outro; e em determinados casos, lutar, ferir ou matar pode ser a única alternativa.

  2. Chaim Lior 10/10/2011 às 10:08 #

    Faço coro ao ilustre prof. Luiz Nazário.
    Estive visitando o seu blog e vi aqui uma das poucas análises coerentes e profundas no campo do saber, conhecimento e da informação.
    Sou profissional da área educacional no ensino médio, e em meus quarenta e poucos anos há pelo menos vinte anos compartilho das idéias publicadas nesse artigo, o que me valeu muitíssimas críticas e entreveros com professores esquerdistas nesses últimos decênios.

    Apesar do autoritarismo dominante na mas media e na área educacional imposto por esquerdopatas e sociopatas, ao ler vosso artigo, sinto-me gratificado por continuar na defesa da verdade e das minhas (nossas) idéias.

    Abs cordiais,

    Chaim

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