DIALOGAR COM GENOCIDAS?

27 maio

Cartaz de evento oficial no Irã pela eliminação de Israel.

As considerações abaixo foram reportadas a 5 de maio de 2010 à produção do Programa Caleidoscópio, da TV Horizonte, para um debate cuja pauta girava em torno do tema Guerra. Minha participação no programa foi, porém, cancelada à última hora. A produção alegou não ter encontrado nenhum pacifista em Belo Horizonte para contraditar estas minhas opiniões:  

A paz é uma utopia no sentido de ser uma meta a ser alcançada, e uma utopia no sentido de que ela jamais será alcançada. Há períodos de paz e períodos de guerra, como há regiões mais ou menos pacíficas durante séculos e outras regiões conturbadas constantemente. A paz depende de inúmeros fatores, mas o principal deles é a alegria de viver. Um povo que, por qualquer motivo, perde a alegria de viver, tende a culpar outros povos por sua infelicidade – e logo se orienta para a guerra.    

Não reconheço grupos verdadeiramente pacifistas no mundo atual: nenhum dos grupos ditos pacifistas está agindo no sentido de ampliar o sentido da vida. Nem mesmo os artistas são hoje autênticos  pacifistas, já que a arte contemporânea tende a deprimir e não a aumentar nas pessoas a alegria de viver. Os que se dizem pacifistas são guerreiros disfarçados, cheios de ódio e de desejos assassinos, aliados de regimes fascistas e de grupos terroristas.    

Barak Obama foi eleito brandindo a promessa do pacifismo: ele garantiu ao povo americano cansado de guerra que assim que chegasse ao poder acabaria com a guerra no Afeganistão e no Iraque. Provou que o discurso pacifista sempre rende votos. Mas uma coisa é ter um discurso pacifista, outra mais difícil é obter a paz sem massacrar os inimigos. Outra ainda é ser um pacifista até os ossos, chegando aos extremos do masoquismo, não reagindo quando se é atacado por todos os lados, até a morte. Quanto à guerra, ela é justa quando feita com o objetivo de defender uma população civil desarmada, sob o ataque inimigo. 

Alguns homens fazem a guerra pelo prazer de guerrear; outros a fazem pela necessidade de guerrear. É a diferença entre um Hitler e um Churchill, entre um Stalin e um Roosevelt. No plano físico e material, a guerra só traz prejuízos, estragos, desastres e sofrimentos, mas no plano político ela pode trazer benefícios incalculáveis, como a libertação de povos inteiros que antes se achavam oprimidos, a redemocratização de um país que vivia sob uma ditadura sangrenta, com o fim das salas de tortura, dos campos de concentração e de extermínio, dos parques de treinamento de terroristas, das usinas produtoras de armas de destruição em massa, etc.    

As imagens de guerra são sempre usadas com fins de manipulação política, como mostrou Susan Sontag em Diante da dor dos outros. Os regimes totalitários gostam de mostrar suas criancinhas (que eles colocam sem piedade na situação de serem atingidas) mortas pelos bombardeios inimigos para desmoralizar os que os atacam e arrebanhar aliados ao seu regime hediondo junto aos pacifistas, poupando o público das imagens das torturas horrorosas que infligem e pelas quais são justamente bombardeados.    

O objetivo dos grupos ditos pacifistas atuais não é impedir a guerra, uma vez que eles não se levantam quando ela começa, e sim contribuir para que a guerra tenha apenas um lado, impedindo o outro lado de se defender dos ataques de que é vítima. Os pacifistas que agem apenas contra um dos lados do conflito têm a clara intenção de defender a causa do lado oposto ao lado que desejam paralisar. 

Durante a Segunda Guerra, os pacifistas eram colaboradores do nazismo, agentes da Quinta Coluna que não desejavam que a Alemanha nazista fosse atacada. Em outros conflitos, são os comunistas externos que usam a máscara do pacifismo, para impedir intervenções dos aliados dos países que os comunistas internos estão tomando de assalto. Raramente um pacifista é realmente um pacifista, na maioria das vezes é um guerreiro disfarçado.    

Às vésperas da guerra  ao terror desencadeada pelo 11 de setembro, a maioria dos pacifistas era de comunistas que defendiam a não reação diante do atentado do século, ou seja, eles consideravam o terror (e a morte de milhares de civis) uma reação justa e maravilhosa contra o “imperialismo americano”. Mas havia pacifistas sinceros que condenavam o terror e ao mesmo tempo acreditavam que atacar o Afeganistão e o Iraque não resolveria o problema, uma vez que não havia alvos claros e bem definidos a serem atingidos.   

Enfim, a guerra não é inevitável, mas a paz permanente depende de tantos fatores que dificilmente será atingida, sobretudo depois do advento da era atômica, do terrorismo de massa e da atual proliferação sem controle dos artefatos nucleares. A tensão gerada atualmente pela corrida atômica nos países periféricos, sob regimes que já provaram sua irracionalidade total na violação de suas próprias minorias, aponta, em que pese a boa intenção dos pacifistas mais perversos, para um novo ciclo de guerras.

2 Respostas to “DIALOGAR COM GENOCIDAS?”

  1. ralph peter 27/05/2010 às 03:39 #

    Vale a máxima: Se desejas a Paz, prepara-te para a Guerra. Abs. Ralph.

  2. Ariel Krok 27/05/2010 às 15:53 #

    Mais uma vez, Professor Nazario mostra, com muita lucidez, as verdadeiras facetas dos pseudo-pacifistas de plantão, que pelo visto estão em extinção em Belo Horizonte… Que patacoada!

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