O CASO CESARE BATTISTI

9 fev

No Brasil de hoje, os que “se sentem” e “se dizem” de esquerda adulando Cesare Battisti, um notório criminoso protegido por um notório Ministro, regrediram ao culto populista da personalidade, à xenofobia, à pieguice terceiro-mundista, não hesitando em recorrer a mentiras descaradas, contorções verbais e repetições ad nauseam de falsidades contestadas (os fatos são ignorados de propósito). Soam como bonecos de mola, e o ventríloquo que fala por eles é o Partido.

Ora, a lei brasileira nº. 9.474/97 – que devia ser martelada na cachola dos ignaros – reconhece como refugiado todo indivíduo que, devido a fundados temores de perseguição por opiniões políticas não queira acolher-se à proteção de seu país. Ora, esse não é o caso do criminoso em pauta. Battisti nunca foi perseguido na Itália por suas opiniões políticas, mas por suas ações armadas. Ele não tem, pela lei brasileira, direito ao status de refugiado político entre nós. O criminoso procurado já confessou à imprensa brasileira ter praticado assaltos à mão armada (não confessou os assassinatos porque não é idiota), dentro do grupo que, ao se intitular Proletários Armados para o Comunismo (PAC), já define seus membros como agentes engajados em assaltos e assassinatos.

Cesare Battisti ao ser preso pela Polícia Federal no Brasil. AP Photo/Eraldo Peres.

Os fins “políticos” hoje alegados maliciosamente não importam neste caso, pois os grupos armados referidos com os eufemismos de “extraparlamentares” e “de ação direta” constituíam-se pela rejeição à política partidária numa Itália que, desde 1945, é uma democracia plena, com liberdade de opinião garantida, o que não inclui, naturalmente, a “opinião” de assaltar e matar, ainda que alegando generosos objetivos comunistas. Pelo mesmo motivo Battisti recusou defender-se, rejeitando a Justiça “burguesa”, pois se imagina além do Bem e do Mal.

Enfim, conceder status de refugiado político a perseguidos por delitos de sangue contraria a lei brasileira que só permite, eu repito, refúgio a perseguidos por delito de opinião, criando o precedente de transformar o Brasil na Meca de todos os criminosos estrangeiros foragidos de suas respectivas Justiças. Afinal, tudo é político. E havendo “dúvida” e “suspeita” quanto à Justiça do país estrangeiro, como ocorreu ao nosso Ministro da Justiça, nós acolhemos o suspeito!

Nosso divino Ministro Tarso Genro corrige os erros judiciários de todo país que ele considera apenas “mais ou menos democrático” e em sua generosidade ilimitada dá refúgio político aos “suspeitos” de crime de sangue condenados lá fora, em republiquetas apenas relativamente democráticas, onde a Justiça não funciona tão bem quanto na nossa democracia absoluta onde a Justiça é perfeita! E claro, tudo isso sem qualquer traço de arrogância do governo brasileiro, sensível apenas à arrogância dos colonialistas europeus indignados com a chamada “defesa de nossa soberania”. No lato sensu positivista em que muitos advogados e juristas brasileiros caíram, todo criminoso pode agora justificar seus crimes comuns como crimes políticos. E, “seguindo a tradição” (ainda que errada, já que o conformista e o tolo preferem continuar na senda que leva ao abismo a parar para pensar aonde esse caminho os conduz); e sem discriminar criminosos de direita ou de esquerda, nosso país agora concede refúgio político a todo assaltante e assassino estrangeiro fugitivo de suas Justiças, recebendo-os de braços abertos. Basta que aleguem que seus crimes foram motivados pelo ódio ao capitalismo injusto que os levou a atos extremados, e ganharão o prestigioso status de refugiados políticos. Este é o novo Brasil, “um país de todos”…

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