OS NOVOS “PROGRESSISTAS”

8 fev
O escritor palestino Edward Said, em gesto simbólico e "progressista", atira pedras nos "inimigos" israelenses.
Em gesto “progressista”, o escritor neopalestino Edward Said atira pedras nos “inimigos” israelenses.

 No mundo globalizado, a propaganda antissemita traveste-se de “consciência progressista” dentro do amplo movimento antiglobalização que prega um “outro mundo possível”, de contornos fascistas. Assim como o antissemitismo na Alemanha dos anos de 1930 unificou as diversas tendências políticas em torno de Hitler, o ódio a Israel torna o Estado Judeu o bode expiatório global, única ratio a sedimentar as exóticas alianças praticadas por militantes esquerdistas, escrevinhadores revisionistas, ativistas neonazistas, terroristas islâmicos e intelectuais “progressistas”, como os neo-stalinistas José Saramago e Slavoj Zizek; os neopalestinos Edward Said e Emir Sader; e os colaboracionistas judeus que, movidos pelo auto-ódio, usam suas origens como caução de sofisticadas distorções da realidade junto ao Eixo genocida – Norman Finkelstein, Noam Chomsky, Illan Pape. Todos permanecem em estado de tensão, monitorando cada passo do Estado Judeu para destruí-lo moralmente, enquanto esperam ansiosos o advento do Grande Líder Global, que há de obrigar Israel a “retornar às fronteiras de 1967”, a “reconhecer seus crimes de guerra”, a “aceitar um Estado Binacional no lugar da Entidade Sionista”, a “acolher os 4 milhões de refugiados palestinos”, a “desaparecer do mapa”.

Fatos históricos são deliberadamente distorcidos pelos novos “progressistas” que desejam castigar apenas Israel, livrando a cara de terroristas, genocidas e ditadores que se regozijam impunes no “outro mundo possível”. Um militante “progressista” afirma: “Chamar de antissemitismo toda e qualquer manifestação contra Israel é o eixo principal de toda a argumentação sionista”. O desejo de manifestação “contra Israel” precede qualquer conhecimento histórico. É antissemita na medida em que o Estado Judeu tornou-se um símbolo dos judeus nas consciências teleguiadas que desejam odiar, antes de qualquer razão.

Os palestinos podem ter suas razões para manifestar-se “contra Israel”. Quanto ao resto do mundo, a razão está no antissemitismo, que produz solidariedades automáticas “contra Israel”. Se a “ajuda americana a Israel” é a mesma que os EUA dão ao Egito, aquela ajuda americana cresce de repente com uma “infinidade de outras formas de ajuda”, “empréstimos privilegiados”, com omissão deliberada sobre os acordos com a Arábia Saudita, por exemplo. Fala-se de acordos americanos com Israel da ordem de US$30 bilhões nos próximos anos, mas omite-se que o mesmo acordo contempla o Egito, a Arábia Saudita, o Kuwait, o Catar e outros países árabes e muçulmanos “moderados” com US$30 bilhões ou mais. Ou seja, o apoio americano nunca foi exclusivo a Israel, mas sempre estendido a países árabes e muçulmanos, a fim de manter o frágil equilíbrio de paz na região, talvez mesmo lucrando com a fragilidade desse equilíbrio.

Os efeitos da guerra ao terror em Gaza são comentados como se o mundo não tivesse conhecido nenhuma outra guerra em toda a história em tal “escala”, senão nos massacres nazistas da Segunda Guerra, em imorais comparações entre as IDF e as S.S. E se o mito do “poderoso exército de Israel” ou da “poderosa máquina de guerra de Israel” é derrubado, logo surgem “a VI Frota americana bem ao lado” e “bases militares americanas no Mediterrâneo” que magicamente se incorporam àquele exército, omitindo-se os exércitos inimigos, ou considerando-os impotentes. Não que o exército de Israel seja fraco. Mas definitivamente não é “dos mais poderosos do mundo”, como os antissemitas apregoam. Todo exagero é distorção da realidade. Quanto às “indenizações astronômicas forçadas e conseguidas com pressão forte do lobby dentro dos EUA” alegadas pelos “progressistas”, além de evocar o grotesco fantasma antissemita dos “judeus donos do mundo” dos Protocolos dos Sábios de Sião, confunde a Alemanha e a Suíça com os EUA e compensações com extorsões.

Os antissemitas revoltam-se com a política de Wiedergutmachung adotada por sucessivos governos da Alemanha e com a admissão da Suíça do roubo astronômico que seus bancos praticaram. Curiosamente, não há protesto contra as igualmente justas compensações que os Sinti e Roma, também vitimados pelo nazismo, estariam a “extorquir” da Alemanha pelos seus 300 mil mortos na visão dos novos “progressistas”.

Os novos “progressistas” que interpretam, distorcendo palavras e realidades, alguns discursos de Ben Gurion e Golda Meir sobre a “necessidade de reverter a composição demográfica da região” como exemplos de “limpeza étnica” não explicam porque um milhão de árabes continua vivendo em Israel enquanto 900 mil judeus foram expulsos dos países árabes; porque colonos palestinos podem viver assentados sem medo em Israel enquanto nenhum colono judeu pode viver assentado em territórios palestinos sem uma forte rede de proteção do Exército israelense… É notável como palestinos e aliados “progressistas” exigem que os colonos judeus sejam varridos dos territórios enquanto acusam os judeus de promoverem uma “limpeza étnica”! A explosão demográfica palestina dentro e fora de Israel, saudada pelos “progressistas” como o fim inevitável do Estado Judeu, atesta largamente essa “limpeza étnica”…

Reclamam ainda que a ‘partilha’ de 1947 destinaria a um terço (os judeus palestinos) da população local (de palestinos árabes e judeus) mais da metade da área a ser dividida (com os árabes palestinos). Mas omitem que a maior parte da área destinada aos judeus palestinos era um deserto inabitável, boa parte um grande pântano, sem falar da Transjordânia, hoje Cisjordânia, que coube aos árabes palestinos. O Estado Judeu foi (e continua sendo) rejeitado pelos árabes ultranacionalistas que preferiam e ainda preferem um Oriente Médio Judenrein. A diferença de ontem para hoje é que se os ultranacionalistas constituíam uma minoria na ONU em 1947 agora eles a dominam, com uma maioria de países árabes, muçulmanos e seus aliados “progressistas” dependentes do petróleo votando “contra Israel” a torto e direito.

Os novos “progressistas” reclamam, então, que Israel não cumpre as decisões da ONU que visam minar moralmente Israel, como se o Estado Judeu devesse colaborar com sua destruição (a exemplo dos judeus anti-sionistas que se aliam aos genocidas). E aqui lembro as palavras tão atuais de Golda Meir a dirigentes árabes: “Entendo que nos queiram varrer do mapa, mas não pretendam que cooperemos com os senhores para lograr esse objetivo”.

Quanto às condições de vida dos palestinos, claro que elas não são das melhores, mas também não são das piores do planeta. Mas poderiam ser bem melhores se ao invés de investirem toda sua energia no sonho de destruir Israel, empregassem-na para construir uma sociedade voltada para a vida e o futuro, não para a morte e o passado. Com os bilhões de ajuda internacional que recebem da Europa, dos EUA e até de Israel, já teriam construído seu Estado possível (com os “inimigos judeus” ao lado, como Israel é o Estado judeu possível, com os “inimigos árabes” por todos os lados).

Contudo, o desejo de limpar etnicamente a Palestina dos “inimigos judeus” continuará impedindo a criação de seu Estado ideal, a Palestina Judenrein. E enquanto a intolerância racista do sonho da Palestina Judenrein persistir não haverá paz na região. Já um milhão de árabes de Israel goza todos os direitos de sua cidadania israelense (com a única óbvia restrição do serviço militar obrigatório), incluindo participação na Knesset, partidos políticos disputando eleições (com a única óbvia restrição dos partidos que pregam a destruição de Israel).

A democracia israelense pode orgulhar-se de sua Justiça independente, de sua liberdade de imprensa, de seu respeito às minorias, incluindo refúgio a homossexuais palestinos ameaçados de linchamento nos territórios. Não será uma democracia plena enquanto as guerras a assaltarem, exigindo restrições. Mas a minoria ortodoxa é respeitada, sem que tenha poder de decisão sobre o Estado laico, que garante igualdade de direitos para as mulheres; permite uma cultura gay florescer em Tel Aviv; dá aos seus árabes liberdade para trabalhar e viver como árabes, desenvolvendo seus negócios, freqüentando suas mesquitas, fundando seus partidos, suas organizações, etc.

Não se pode dizer o mesmo dos países islâmicos regidos pela Shari’a, que oprimem as mulheres até o apedrejamento, enforcam homossexuais, obrigam minorias a pagar tributos ou morrer, praticam a tortura, a escravidão, etc. Não existem “critérios racialistas” em Israel com afirmam os novos “progressistas”. Os judeus constituem e se consideram um povo engajado numa cultura, a princípio definida por uma religião que inclui elementos étnicos não determinantes nem excludentes, admitidas a conversão e o casamento misto, havendo entre seus seguidores negros e brancos, árabes e europeus, russos e latinos, sendo igualmente judeus os natos e os conversos e os descendentes por linha materna; os judeus libertários chegam a dizer que basta se sentir judeu para ser judeu.

Em Israel convivem adeptos de todos os credos religiosos e políticos, incluindo judeus religiosos e ateus; sionistas de esquerda e de direita; antissionistas de extrema-esquerda, devotados à causa palestina, e antissionistas de extrema-direita, aliados à República Islâmica do Irã; sem falar em neonazistas chegados de contrabando na imigração russa… Atacando o milagre dessa democracia israelense em meio a tantas guerras, associando o Estado Judeu ao nazismo e defendendo uma Palestina Judenrein, os novos “progressistas” preferem calar-se sobre os regimes de opressão em que estão mergulhados os inimigos de Israel, e cuja causa tenebrosa escolheram defender. Um dia suas máscaras cairão, mas talvez então seja tarde demais…

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